ACP Bioenergia investirá R$ 1,1 bilhão na nova “Eldorado” do agronegócio baiano
ACP Bioenergia investirá R$ 1,1 bilhão na nova “Eldorado” do agronegócio baiano
Da redação com informações do Compre Rural
O Oeste da Bahia vem se consolidando como uma das regiões mais promissoras do agronegócio brasileiro. Em meio ao avanço de projetos de irrigação e novos modelos de concessão, o Baixio de Irecê — entre os municípios de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia — desponta como polo estratégico para produção de grãos e fibras sob irrigação.
Nesse cenário, a ACP Bioenergia, grupo sediado em Ribeirão Preto (SP), anunciou um investimento de R$ 1,1 bilhão para implantar um projeto agrícola de grande escala na região. A operação está prevista para iniciar em outubro de 2026, com foco na produção de soja, milho e algodão em uma área inicial de 15 mil hectares irrigados — integrando o maior perímetro de irrigação da América Latina.
Segundo a companhia, o projeto utilizará tecnologia de irrigação integral para garantir estabilidade produtiva e previsibilidade de resultados. As metas de rendimento são ambiciosas: 100 sacas de soja, 200 de milho e 380 arrobas de algodão por hectare.
Empresa consolidada amplia fronteiras
Liderada por Alexandre Candido, a ACP Bioenergia possui mais de 35 anos de atuação e administra cerca de 220 mil hectares arrendados em contratos de longo prazo. Em 2024, registrou receita líquida de R$ 731 milhões e EBITDA de R$ 512 milhões, disputando mercado com gigantes como Bom Futuro, SLC Agrícola, Amaggi e Scheffer.
A nova frente no Baixio de Irecê integra uma parceria com a Germina Baixio, responsável por etapas do projeto de irrigação. A iniciativa reforça a estratégia da empresa de diversificação geográfica e climática, reduzindo riscos e consolidando seu modelo de produção irrigada em larga escala.
O Baixio de Irecê e o avanço da irrigação
Com 105 mil hectares totais e 48 mil irrigáveis, o Baixio de Irecê é administrado pela Codevasf e conta com parcerias público-privadas estruturadas pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O Governo Federal já destinou mais de R$ 555 milhões à infraestrutura hídrica local, incluindo canais, estações de bombeamento e sistemas de energia.
O impacto já aparece nos números: o Valor Bruto da Produção saltou de R$ 400 mil em 2022 para R$ 9,4 milhões em 2023, com a área irrigada dobrando de 2 mil para 4 mil hectares. Culturas como feijão, mamona, abóbora e banana se somam à diversificação local, transformando a economia regional.
Desafios e perspectivas
Entre os desafios estão os altos custos de implantação, necessidade de infraestrutura logística e gestão sustentável dos recursos hídricos. Ainda assim, especialistas apontam o Baixio de Irecê como “a nova Eldorado do agro”, capaz de gerar empregos, atrair tecnologia e impulsionar o semiárido nordestino rumo a uma nova era de produtividade e desenvolvimento sustentável.