ADM encerra operação de comercialização de grãos na China após escândalo e tensões comerciais
ADM encerra operação de comercialização de grãos na China após escândalo e tensões comerciais
Da redação com informações do AgrofyNews
A Archer Daniels Midland (ADM), uma das maiores empresas globais do agronegócio, anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades de comercialização de grãos na China. A decisão ocorre em meio a um processo de reestruturação global iniciado em fevereiro deste ano, após um escândalo contábil e uma significativa queda nos lucros da companhia.
A saída do mercado chinês, especulada nas últimas semanas, foi acelerada pelo agravamento da guerra comercial entre China e Estados Unidos, que culminou na imposição de tarifas bilaterais. O ex-presidente Donald Trump anunciou a elevação de tarifas de importação para 145%, levando Pequim a reagir com aumento das taxas sobre produtos norte-americanos para até 125%.
Funcionários da unidade de Xangai, onde a ADM mantinha operações de trading, começaram a receber notificações de desligamento nesta semana, confirmando o encerramento das atividades no país asiático.
Reestruturação global e corte de custos
A decisão integra um movimento mais amplo da ADM para reduzir custos e ajustar suas operações diante de resultados financeiros abaixo do esperado. Em 2023, o lucro líquido da empresa foi de US$ 3,5 bilhões. Em 2024, o valor despencou para US$ 1,8 bilhão — uma queda de quase 50%. A receita também caiu, passando de US$ 93,9 bilhões para US$ 85,5 bilhões no mesmo período.
Em meio às dificuldades, a companhia já havia anunciado a redução de 600 a 700 postos de trabalho ao redor do mundo. A tensão geopolítica entre Washington e Pequim intensificou os desafios logísticos e comerciais, afetando diretamente as exportações de commodities agrícolas dos EUA para a China — mercado essencial para empresas do porte da ADM.
Impacto no mercado global
O encerramento das operações de trading de commodities na China representa um marco importante no setor. A ADM é considerada a terceira maior comercializadora de commodities agrícolas do mundo, movimentando cerca de US$ 94 bilhões em grãos como soja e milho apenas em 2023.
O ambiente regulatório mais rígido e os reflexos da investigação contábil — que resultou em forte desvalorização das ações da empresa — também pesaram na decisão. A crise levantou questionamentos sobre a governança da companhia, acelerando a reestruturação interna.
Operações na China continuam, mas com foco diferente
Presente na China desde 1995, quando adquiriu uma fábrica de ração animal, a ADM expandiu seus negócios no país nas últimas décadas, tornando-se um importante fornecedor de produtos agrícolas em toda a Ásia.
Apesar do encerramento das atividades de comercialização de grãos, a empresa informou, em nota, que outras divisões na China continuarão operando normalmente. “A ADM mantém um compromisso profundo com a China”, declarou a empresa, sem detalhar quais operações serão mantidas em Xangai.