Agro puxa crescimento do PIB no 1º trimestre de 2025 com alta de 12,2%
Agro puxa crescimento do PIB no 1º trimestre de 2025 com alta de 12,2%
Da redação com informações do AGFeed
O setor agropecuário liderou o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2025, com crescimento expressivo de 12,2% em relação aos três meses anteriores. O desempenho foi impulsionado por colheitas robustas de soja, milho e arroz e representa uma recuperação importante após dois anos consecutivos de retração.
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB nacional cresceu 1,4% no primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal. A agropecuária foi o principal motor desse resultado, superando o setor de serviços (+0,3%) e compensando a leve queda da indústria (-0,1%).
Na comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento da agropecuária foi de 10,2%.
Supersafra sustenta retomada
De acordo com o IBGE, o resultado positivo do agro é reflexo das condições climáticas favoráveis e da expectativa de safra recorde. A produção de grãos na temporada 2024/2025 deve alcançar 332,9 milhões de toneladas, uma alta de 12% frente ao ciclo anterior.
A soja, principal cultura do país, deve atingir produção recorde de 168,3 milhões de toneladas. Também são esperados aumentos expressivos na produção de arroz (+12,2%) e milho (+11,8%), conforme dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, destacou o peso da base de comparação baixa de 2024, quando a agropecuária registrou queda de 3% no primeiro trimestre.
Setor ainda sente efeitos de anos difíceis
Apesar da recuperação, o setor ainda não voltou ao nível de atividade de 2022, quando clima e preços internacionais favoráveis garantiram ganhos expressivos em toda a cadeia do agronegócio. Nos dois últimos anos, a combinação de quebras de safra e queda nas cotações das commodities impactou negativamente a indústria de insumos, máquinas e a distribuição, aumentando inclusive os pedidos de recuperação judicial.
Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) apontam para uma retomada gradual. O Índice de Produção Agroindustrial (PIM-Agro) subiu 1,6% no primeiro trimestre. Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que antecipa o resultado do PIB, mostrou alta de 17,31% da agropecuária em relação ao mesmo período de 2024.
Efeito multiplicador sobre a economia
O impacto do bom momento do agro vai além das porteiras. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, destaca que o setor “mais uma vez salvou o desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre”. Segundo ele, a força da produção de soja e milho também reverberou em outros setores, como o de serviços, que cresceu 0,3%.
André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, afirma que o agronegócio respondeu direta ou indiretamente por quase todo o crescimento do PIB no início do ano. Ele ressalta o efeito “transbordamento”, que estimula a economia ao movimentar áreas como transporte, combustíveis, fertilizantes e máquinas agrícolas.
Tendência de desaceleração nos próximos meses
Apesar do bom começo de ano, os economistas alertam para uma possível desaceleração do agro no segundo trimestre, devido à base de comparação elevada e à sazonalidade típica do setor.
“A tendência é de desaceleração, talvez até uma leve contração, o que é comum após um trimestre tão forte”, avalia Galhardo. Mesmo assim, ele ressalta que o impacto do agro tende a se prolongar nos meses seguintes, especialmente por meio da geração de empregos e da movimentação de cadeias produtivas.
A Austin projeta crescimento entre 5% e 6% para o PIB da agropecuária em 2025, com possibilidade de resultados ainda melhores, a depender do clima e do cenário internacional.
Clima e comércio exterior no radar
O clima segue sendo fator de risco: lavouras de café, por exemplo, já sofreram perdas, o que pressiona os preços do produto. No cenário externo, os economistas apontam para a desaceleração da economia dos Estados Unidos e as incertezas sobre a demanda da China como pontos de atenção.
Ainda assim, o panorama para o agro em 2025 segue positivo. “A agropecuária ativa outros setores estratégicos da economia, como químicos, fertilizantes, combustíveis e bens de capital. É um motor essencial do crescimento brasileiro”, conclui Agostini.