20/04/2025

Mudanças climáticas devem intensificar pragas e doenças nas lavouras, alerta Embrapa

Mudanças climáticas devem intensificar pragas e doenças nas lavouras, alerta Embrapa

Da redação com informações do AgrofyNews

As mudanças climáticas não afetam apenas o clima e os recursos hídricos — elas também ameaçam a segurança alimentar. Segundo estudo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o aumento das temperaturas e a instabilidade no regime de chuvas devem tornar pragas e doenças ainda mais agressivas nas lavouras brasileiras nas próximas décadas.

A pesquisa indica que cerca de 46% das doenças agrícolas registradas no país podem se tornar mais severas até o final do século, caso o aquecimento global continue no ritmo atual. Isso afeta diretamente culturas estratégicas como soja, milho, arroz, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas.

Fungos, vírus e vetores mais ativos com o calor

O estudo analisou 32 culturas agrícolas e mais de 300 patossistemas — que são combinações entre o patógeno (organismo causador da doença) e a planta hospedeira. Os fungos aparecem como os principais responsáveis por doenças nas lavouras, presentes em quase 80% dos casos estudados.

Com a temperatura podendo ultrapassar os 4,5°C em algumas regiões brasileiras até 2100, doenças como antracnose e oídio devem se espalhar com mais facilidade. A irregularidade das chuvas também contribui para a proliferação desses agentes.

“Prever o comportamento das doenças em um cenário de mudanças climáticas é um grande desafio e exige continuidade nas pesquisas e em novas estratégias de adaptação”, destaca a pesquisadora Francislene Angelotti, da Embrapa Semiárido (PE).

Além dos fungos, os vetores — como pulgões, cochonilhas, tripes, moscas-brancas e ácaros — também tendem a se multiplicar mais rapidamente com o aumento do calor. Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente (SP), o ciclo de vida mais curto e a maior longevidade desses insetos elevam o risco em lavouras como tomate, banana, batata, citros e milho.

Impacto sobre defensivos e busca por soluções sustentáveis

Outro ponto crítico é o efeito do clima sobre os defensivos agrícolas. As alterações nas condições ambientais podem diminuir a eficácia desses produtos, exigindo mais aplicações — o que aumenta os custos e os impactos ambientais.

Diante disso, o setor agrícola já investe em alternativas mais sustentáveis, como os biopesticidas. O Brasil é atualmente o maior produtor e consumidor mundial desses produtos, com a maior área agrícola sob controle biológico.

Mesmo assim, os especialistas alertam para a necessidade de adaptar os bioinsumos às novas condições climáticas. “Precisamos desenvolver bioherbicidas e produtos que aumentem a eficiência no uso de nitrogênio e reduzam o estresse das plantas”, afirma Bettiol. Ele também aponta a urgência em encontrar soluções para doenças resistentes, como a ferrugem asiática da soja e a ferrugem do cafeeiro.

Ações urgentes para proteger o agronegócio

Para reduzir os impactos no campo, os pesquisadores recomendam uma série de medidas, como:

Reforço na vigilância fitossanitária;

Análise de riscos e ações de prevenção;

Ampliação dos investimentos em pesquisa;

Cooperação internacional em inovação agrícola;

Adoção de tecnologias de manejo diversificadas e modelos de previsão de epidemias.

Com os efeitos do clima já sendo sentidos nas lavouras, a adaptação não é mais uma opção — é uma necessidade para garantir o futuro da produção agrícola no Brasil.

Ao usar esta loja virtual, você; aceita automaticamente o uso de cookies. Acessar nossa Política de Privacidade