14/05/2025

Alckmin reforça apoio à construção da Ferrogrão e destaca benefícios logísticos e ambientais

Alckmin reforça apoio à construção da Ferrogrão e destaca benefícios logísticos e ambientais

Da redação com informações do Compre Rural e Estadão Conteúdo

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reafirmou nesta terça-feira (14) seu apoio à construção da Ferrogrão (EF-170), ferrovia de 933 quilômetros que deve ligar Sinop (MT) a Itaituba (PA), com custo estimado em R$ 28 bilhões. A declaração foi feita durante participação no 3º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.

“Eu defendo e sempre defendi a Ferrogrão. Precisamos integrar modais. Percorri a BR-163 de carro e é uma epopeia”, afirmou Alckmin. Segundo ele, a ferrovia é essencial para melhorar o acesso aos portos, especialmente ao terminal de Miritituba (PA), facilitando a integração com a hidrovia do Arco Norte e ampliando o escoamento da produção agrícola para o mercado internacional.

Para Alckmin, a Ferrogrão representa um avanço estratégico tanto na logística quanto na sustentabilidade. “Você vai trocar caminhão por ferrovia. A ferrovia não induz ocupação urbana. Então, ela é importante do ponto de vista ambiental, evitando desmatamento, reduzindo emissões e aumentando a competitividade do país”, destacou.

Apesar do apoio de parte do governo, o projeto está paralisado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), em vigor desde 2021, que suspendeu os estudos ambientais necessários para o avanço das obras. Os entraves incluem a possível supressão de área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e a ausência de diálogo prévio com comunidades tradicionais, exigido por tratado internacional do qual o Brasil é signatário.

A União tenta reverter a decisão judicial e já apresentou ao STF novas propostas para mitigar impactos socioambientais. Entre os argumentos, está a possibilidade de aproveitar a faixa de domínio da BR-163/MT, minimizando o impacto ambiental. Além disso, o governo promete destinar R$ 715 milhões em contrapartidas ambientais — o equivalente a 3,5% do valor total do projeto.

Internamente, o projeto gera divergências. Enquanto os Ministérios da Agricultura e dos Transportes apoiam a obra, os Ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas manifestam posição contrária. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aguarda a liberação judicial para lançar o edital de concessão da ferrovia, o que está previsto para 2026.

A expectativa é que a Ferrogrão se torne um corredor estratégico para o escoamento da produção do agronegócio, com potencial de evitar perdas logísticas de até R$ 7,9 bilhões ao ano e reduzir a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de CO₂ por ano ao longo dos 69 anos de concessão previstos.

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