Alta do petróleo impulsiona soja e aquece mercado brasileiro
Alta do petróleo impulsiona soja e aquece mercado brasileiro
Da redação com informações do Canal Rural
O mercado brasileiro de soja voltou a ganhar ritmo na quinta-feira (23), após um período de baixa movimentação. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a alta do petróleo impactou diretamente o complexo soja, favorecendo o avanço das negociações no mercado físico.
Na Bolsa de Chicago, os contratos fecharam em forte alta, acompanhando a valorização do óleo de soja — reflexo direto do aumento do preço do petróleo após novas sanções impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao petróleo russo.
De acordo com Silveira, a medida deve alterar a dinâmica global de oferta. “China e Índia, grandes compradoras do petróleo russo, precisarão buscar novos fornecedores para evitar penalidades no sistema bancário ocidental SWIFT”, explicou o analista.
A estratégia tem como objetivo reduzir as receitas do governo russo e restringir sua capacidade de sustentar o conflito na Ucrânia.
No Brasil, o dólar recuou frente ao real, impulsionado pela entrada de capitais estrangeiros. A moeda brasileira se fortaleceu diante da maior liquidez internacional e do interesse de investidores por economias emergentes.
Mercado físico reage
A melhora no cenário internacional refletiu também nos negócios domésticos. Com a valorização das cotações em Chicago, os prêmios para exportação subiram: entre US$ 1,60 e US$ 1,75 por bushel para embarques em novembro, e entre US$ 1,50 e US$ 1,70 para dezembro, nos principais portos brasileiros.
Para a safra nova, entretanto, as negociações seguem mais moderadas, com prêmios estáveis e menor volume de contratos fechados.
Projeções da Abiove apontam safra recorde
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta semana sua nova projeção para o balanço de oferta e demanda do complexo soja em 2026, com números recordes em praticamente todos os segmentos.
A produção nacional deve alcançar 178,5 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento está estimado em 60,5 milhões de toneladas. A projeção para o farelo de soja é de 46,6 milhões de toneladas, e para o óleo de soja, 12,1 milhões de toneladas.
Nas exportações, a entidade prevê o envio de 111 milhões de toneladas de grãos, 24,6 milhões de toneladas de farelo e cerca de 1 milhão de toneladas de óleo, o que representa queda de 25,9% neste último item. Já as importações devem somar 500 mil toneladas de soja em grão e 125 mil toneladas de óleo, para suprir o consumo interno.