16/05/2025

Avanço do sorgo aponta nova fase para a produção de etanol e ração no Brasil

Avanço do sorgo aponta nova fase para a produção de etanol e ração no Brasil

Da redação com informações do AgrofyNews

O sorgo desponta como uma das grandes tendências do agronegócio brasileiro nos próximos anos, com potencial para transformar a cadeia produtiva de etanol e ração animal. A avaliação foi destaque no painel “Cenários dos Alimentos no Brasil”, realizado durante o 3º Congresso Abramilho, nesta quarta-feira (14), em Brasília.

Com menor custo de produção em comparação ao milho, o sorgo tem atraído a atenção de indústrias e produtores, além de representar uma alternativa estratégica em tempos de desafios climáticos e pressão por eficiência.

Segundo o pesquisador Mauro Ozaki, da Esalq/USP, o grão deve ganhar protagonismo graças à sua versatilidade. “O sorgo já começa a ser usado na composição de rações e está sendo testado por indústrias de etanol, o que abre novas possibilidades para sua expansão no campo”, apontou.

Desafios logísticos e o papel das cooperativas

Apesar das perspectivas positivas, o setor ainda enfrenta gargalos estruturais. Um dos principais é a armazenagem de grãos. O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, alertou para a defasagem na capacidade instalada. “A produção de milho cresce cerca de 10 milhões de toneladas por ano, e precisamos repensar a lógica de armazenagem, adotando modelos como o norte-americano, onde as fazendas armazenam mais de uma safra”, explicou.

A superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Zanella, defendeu o protagonismo das cooperativas na superação dessas barreiras. “Com mais de 1.200 cooperativas agrícolas e mais de 1,2 milhão de cooperados, o sistema é um canal direto para inclusão produtiva, redução de custos e acesso à infraestrutura”, disse.

Para o vice-presidente da CNA, José Mario Schreiner, ampliar a estrutura de armazenagem e fortalecer o crédito rural são medidas urgentes. “Sem armazéns suficientes, o produtor precisa de outras ferramentas, como seguro rural e um Plano Safra mais robusto”, reforçou.

Plano Safra mais acessível

O tema também foi defendido pelo senador Zequinha Marinho (PA), que defendeu juros diferenciados e políticas públicas de longo prazo. “O Brasil precisa tratar o Plano Safra como uma política permanente e estratégica para o desenvolvimento do agro”, afirmou.

O 3º Congresso Abramilho reúne cerca de 400 participantes e conta com apoio institucional de entidades como Basf, Croplife e OCB, além do patrocínio de Aprosoja-MT, Aprosmat, Bayer, Corteva, Senar, Syngenta, Pivot Bio e Fase-MT.

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