18/10/2025

Belagrícola coloca sementeira à venda em meio à crise financeira provocada por disputa com a UPL

Belagrícola coloca sementeira à venda em meio à crise financeira provocada por disputa com a UPL

Da redação com informações do The AgriBiz

A crise de liquidez que ameaça a Belagrícola, uma das maiores redes de revendas agrícolas do Paraná, pode resultar na venda da Bela Sementes, um dos ativos mais lucrativos da companhia. Segundo informações apuradas pelo The AgriBiz, a empresa contratou a IGC Partners para conduzir o processo de venda da sementeira.

Com unidades de beneficiamento em Patos de Minas (MG) e Tamarana (PR), a Bela Sementes tem margens de Ebitda entre 16% e 18%, bem superiores às do varejo agrícola, que vêm sofrendo forte pressão nos últimos ciclos. Estimativas de mercado apontam que a sementeira fatura entre R$ 200 milhões e R$ 400 milhões por safra, podendo crescer com o uso da capacidade ociosa.

Na última temporada, a empresa comercializou 1,1 milhão de sacas de sementes de soja, sob duas marcas: Bela Sementes, tradicional no Sul do país, e Vital Seeds, criada há dois anos para atender o Cerrado.

Disputa judicial com a UPL agravou a crise

A decisão de vender a Bela Sementes não era o plano original da companhia, mas a deterioração da estrutura de capital levou os executivos a reavaliar o portfólio.

A situação se agravou em setembro, após uma disputa judicial com a UPL, gigante indiana do setor de defensivos agrícolas, que cobra R$ 35 milhões em dívidas da Belagrícola. Um FIDC que compra recebíveis da UPL também moveu ação para receber R$ 6 milhões.

A tensão aumentou entre os produtores rurais que armazenam grãos nas unidades da Belagrícola. O medo de não receber levou muitos a antecipar a precificação dos produtos, pressionando ainda mais o caixa da empresa. Para conter o colapso, a Belagrícola obteve na Justiça uma liminar de 60 dias, suspendendo execuções e fixações de grãos.

Apesar da turbulência, credores afirmam que a empresa vinha honrando compromissos — inclusive a amortização de R$ 41,9 milhões de um dos CRAs. “A UPL é um fornecedor pequeno. A maioria dos demais alongou dívidas. Foi uma infelicidade o processo vir à tona”, afirmou uma fonte próxima à companhia.

No mercado de capitais, o episódio repercutiu negativamente. As cotas do VGIA11, Fiagro da gestora Valora, que tem 8,8% do patrimônio em CRAs da Belagrícola, caíram mais de 5%. Outros fundos, como Capitânia e JGP, também possuem exposição ao risco da empresa.

Bunge pode ser a tábua de salvação

Analistas avaliam que a melhor alternativa para a Belagrícola evitar uma recuperação judicial é concluir o acordo com a Bunge, que negocia entrada no capital da empresa desde o início do ano.

A trading multinacional já teria realizado due diligence e feito um empréstimo-ponte à companhia, mas as conversas travaram por divergências com os controladores chineses da Pengdu. A Bunge exige que o grupo acompanhe o aporte de capital, estimado em US$ 60 milhões, enquanto os chineses teriam se comprometido com apenas US$ 30 milhões.

Fontes próximas à negociação acreditam que o aporte seria suficiente para estabilizar a empresa até 2026, considerando um passivo de aproximadamente R$ 1 bilhão em atrasos.

A indefinição também foi afetada pela saída de Evandro Monteiro, ex-head de M&A da Bunge, que era um dos principais interlocutores do negócio. Caso o acordo não avance, o empréstimo-ponte da Bunge se transformará em dívida, ampliando a pressão sobre o caixa e deteriorando a confiança no mercado.

Mesmo assim, a Belagrícola garante que as tratativas continuam. Uma reunião entre o CEO Alberto Araújo e representantes da Bunge teria ocorrido nesta semana para discutir os próximos passos.

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