Biomassa de Cavaco de Acácia: Alternativa Energética Sustentável em Roraima
Biomassa de Cavaco de Acácia: Alternativa Energética Sustentável em Roraima
Da redação com informações do G1 Roraima
A utilização de biomassa proveniente de cavacos de acácia vem se consolidando como uma solução energética sustentável em Roraima, o único estado brasileiro fora do Sistema Integrado Nacional (SIN). Com a dependência de termelétricas movidas a combustíveis fósseis, a região encontra na biomassa uma alternativa viável para diversificar sua matriz energética e garantir maior segurança no fornecimento de eletricidade.
Atualmente, 25% da energia gerada no estado provém da biomassa de acácia, utilizada por quatro usinas da empresa OXE Energia, presente em Roraima desde 2022. No total, sete usinas empregam biocombustíveis como óleos vegetais, resíduos de palma e cavacos de madeira para produção de energia.
O que são cavacos de madeira?
Os cavacos são pequenos fragmentos de madeira obtidos a partir da trituração de toras, galhos e sobras de troncos. Essa biomassa é uma fonte renovável, limpa e econômica de energia, contribuindo para a redução da emissão de poluentes.
A infraestrutura das usinas de biomassa
A OXE Energia opera dois clusters de usinas em Roraima:
- Cluster Serra da Lua (Município de Bonfim): Usinas Bonfim e Cantá, cada uma com capacidade de 10 megawatts.
- Cluster Jacitara (Boa Vista): Usinas Santa Luz e Pau Rainha, também com 10 megawatts cada.
No total, a OXE fornece 40 megawatts diários de energia para os 15 municípios de Roraima.
De acordo com Marcos Caldas, diretor industrial da OXE Energia, o projeto foi desenvolvido para reduzir a dependência do estado de fontes energéticas como o óleo diesel e a eletricidade anteriormente importada da Venezuela. “Agora, oferecemos uma alternativa segura e sustentável”, destaca.
A empresa possui uma área de 2,8 milhões de metros cúbicos de acácia mangium, utilizada para a extração de cavacos. O processo envolve a queima da biomassa, geração de vapor e operação de turbinas, em um sistema fechado de reaproveitamento de água e cinzas.
Leonardo Centenaro, gerente do cluster Serra da Lua, explica que a produção de energia ocorre em seis etapas: processamento da matéria-prima, classificação, armazenamento, combustão, geração de vapor e, finalmente, geração de energia. “Utilizamos madeira de reflorestamento, transportada continuamente para garantir o suprimento ininterrupto das caldeiras”, ressalta.
A sustentabilidade também está presente na utilização de água subterrânea de poços semiartesianos e no reaproveitamento das cinzas como adubo para novos plantios.
Expansão e impactos econômicos
A OXE Energia chegou a Roraima devido ao ambiente favorável para o plantio de acácia, cujas florestas foram originalmente cultivadas entre 1996 e 2006. Atualmente, a empresa gera cerca de 400 empregos diretos e indiretos e possui contrato de fornecimento de energia com duração de 15 anos, podendo ser renovado por mais 15.
A previsão de continuidade do projeto inclui o plantio de eucalipto, com colheita programada para 2040.
A busca por independência energética
Por estar fora do SIN, Roraima dependia até 2019 da energia importada da Venezuela. Com o fim desse fornecimento, quatro termelétricas locais passaram a suprir a demanda, aumentando os custos para R$ 8 bilhões anuais, divididos entre os consumidores de todo o país.
O Linhão de Tucuruí, que atravessará 122 km da reserva Waimiri Atroari, é apontado como a solução definitiva para o problema energético do estado, garantindo maior estabilidade e menor custo para os consumidores.
Enquanto essa conexão não é concluída, a geração de energia a partir de biomassa se apresenta como um importante avanço na busca pela autossuficiência energética e pelo desenvolvimento sustentável de Roraima.