BNDES prepara fundo garantidor para reduzir juros de produtores rurais
BNDES prepara fundo garantidor para reduzir juros de produtores rurais
Da redação com informações do AGFeed
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve lançar, nos próximos meses, um fundo garantidor específico para o setor rural. A medida busca facilitar o acesso ao crédito para pequenos e médios produtores, que hoje pagam taxas mais altas por não conseguirem oferecer garantias.
O anúncio foi feito por Alexandre Abreu, diretor da instituição, durante o Bradesco BBI Agro Summit 2.0, realizado nesta quinta-feira (11), em São Paulo. Segundo ele, o fundo funcionará como um fiador, permitindo que produtores obtenham financiamentos com juros mais baixos.
“Sabemos que a Selic está em 15% ao ano. Mas a pessoa jurídica empresta a uma taxa de 40%. Grandes produtores não pagam mais de 16% a 20%. Já os médios e pequenos pagam muito mais caro porque não têm o que oferecer como garantias. Por isso o fundo é importante”, destacou Abreu.
Linhas de crédito e socorro ao campo
Durante o evento, o executivo também citou outras iniciativas do banco, como a linha de crédito atrelada ao dólar, que hoje oferece juros entre 8% e 9% ao ano, mas é restrita a empresas com receita em moeda estrangeira.
Ele lembrou ainda a linha emergencial de R$ 12 bilhões anunciada pelo governo para apoiar produtores e cooperativas que enfrentaram perdas causadas por secas e enchentes, principalmente no Rio Grande do Sul. Os recursos serão operados por bancos e poderão beneficiar até 100 mil agricultores em situação de calamidade reconhecida.
As condições variam conforme o perfil do produtor:
- Pequenos (Pronaf): até R$ 250 mil, juros de 6% ao ano;
- Médios (Pronamp): até R$ 1,5 milhão, juros de até 8% ao ano;
- Demais produtores: até R$ 3 milhões, juros de até 10% ao ano.
O prazo de pagamento será de até nove anos, com um ano de carência.
Dívidas e negociações
Produtores gaúchos são os mais impactados, com dívidas estimadas em R$ 72,8 bilhões, segundo a Farsul. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o pacote de suporte já anunciado seguirá ativo e que a expectativa é de que os bancos ampliem o apoio, chegando a R$ 20 bilhões adicionais em renegociações.
Enquanto isso, o Congresso discute um projeto que prevê perdão mais amplo das dívidas rurais, com teto de R$ 5 milhões por CPF, juros entre 1% e 3% ao ano, três anos de carência e prazo de pagamento de até 20 anos. A proposta já passou pela Comissão de Agricultura do Senado e aguarda análise na Câmara.