26/09/2025

Brasil amplia foco no trigo argentino após Milei zerar imposto e pressiona preços locais

Brasil amplia foco no trigo argentino após Milei zerar imposto e pressiona preços locais

Da redação com informações do Compre Rural

O Brasil deve intensificar ainda mais as importações de trigo da Argentina após o governo de Javier Milei zerar o imposto de exportação de grãos e derivados. A medida, anunciada nesta semana, fortalece a competitividade do trigo argentino e aumenta a pressão sobre os preços pagos aos agricultores brasileiros.

De janeiro a agosto, os moinhos nacionais compraram 3,66 milhões de toneladas de trigo da Argentina, o que representa 78% das importações totais do período (4,68 milhões de toneladas). O volume é 24% maior que o registrado em 2024 e o maior para o período desde 2021.

Segundo especialistas, a redução do imposto, antes de 9,5%, deve ampliar a dependência brasileira do trigo argentino em detrimento de outros fornecedores. Para os produtores nacionais, o cenário é negativo.

“Com a redução do imposto, a tendência é aumentar as compras da Argentina. O impacto para os produtores brasileiros deve ser negativo, já que os preços estão próximos à paridade de importação”, avaliou Flávio Turra, gerente técnico da Ocepar, entidade que representa cooperativas no Paraná — segundo maior Estado produtor do cereal.

No mercado internacional, a combinação de safra robusta na Argentina, bom desempenho global e queda do dólar frente ao real já vinha pressionando os preços no Brasil. No Paraná, referência na produção, a cotação recuou 9% em setembro, para R$ 1.275 por tonelada, segundo o Cepea.

Para Carlos Hugo Godinho, especialista em trigo do Deral (governo do Paraná), o imposto zerado é “mais um elemento de pressão” no mercado interno, especialmente no momento da colheita nacional.

“Afetar o negócio da safra nova nacional, com certeza vai. O preço de paridade vai ficar mais baixo ainda”, destacou.

A colheita no Paraná já atingiu 41% da área plantada, com boas perspectivas de produtividade. Apesar disso, a área semeada em 2025 caiu cerca de 25%, reflexo do desestímulo com os preços e de perdas registradas em safras anteriores por problemas climáticos.

Um executivo de um moinho paulista, que preferiu não se identificar, afirmou que após o anúncio do governo argentino o preço do trigo caiu entre US$ 2 e US$ 3 por tonelada no país vizinho.

“Quem precisa, está comprando agora. Mas há cautela, porque a safra nova promete ser grande, e isso pode puxar os preços ainda mais para baixo”, disse.

Enquanto os moinhos brasileiros aproveitam o trigo mais barato da Argentina, os produtores nacionais enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade em plena colheita.

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