Brasil pode ser a "Arábia Saudita dos biocombustíveis", afirma governador Ratinho Júnior
Brasil pode ser a "Arábia Saudita dos biocombustíveis", afirma governador Ratinho Júnior
Da redação com informações do Compre Rural
Durante o AgroForum Cuiabá, promovido pelo BTG Pactual, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, destacou o protagonismo do Brasil no setor de biocombustíveis. Segundo ele, o país está pronto para assumir uma posição global de liderança:
“O Brasil poderá ser a Arábia Saudita dos biocombustíveis”, afirmou, referindo-se ao potencial de produção de etanol e outras fontes de energia renovável.
O comentário foi feito em referência aos avanços do estado do Mato Grosso, especialmente nas áreas de infraestrutura e industrialização do agronegócio. Ratinho elogiou a gestão do governador Mauro Mendes e ressaltou a importância da industrialização do etanol na região Centro-Oeste:
“Mato Grosso é uma locomotiva do Brasil. A gestão do Mauro é uma inspiração para todos os estados.”
Etanol avança com apoio público e privado
O Brasil tem investido fortemente na cadeia do etanol, especialmente na produção de etanol de segunda geração (E2G), feito a partir de resíduos da cana-de-açúcar e outros materiais celulósicos. Segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), a safra 2023/24 registrou produção de 30,7 bilhões de litros de etanol.
A expectativa do Ministério de Minas e Energia é que, até 2032, o país ultrapasse os 50 bilhões de litros por ano, impulsionado por biorrefinarias modernas, incentivos para veículos híbridos e o programa federal de descarbonização RenovaBio.
Mato Grosso: referência em infraestrutura e energia verde
Com investimentos em logística e infraestrutura, Mato Grosso vem se consolidando como um dos maiores polos de etanol de milho do mundo, com capacidade instalada superior a 6 bilhões de litros por ano. Empresas como FS Bioenergia, Inpasa, Neomille e Cerradinho Bioenergia lideram esse movimento, combinando produção de biocombustível, ração animal e energia elétrica.
Além disso, o estado dobrou sua malha rodoviária asfaltada em poucos anos e implementou a primeira ferrovia estadual do país, a Ferronorte, fortalecendo o escoamento da produção agrícola e energética.
Conexão entre Paraná e Mato Grosso fortalece o agro e a bioenergia
Ratinho Júnior também destacou a ligação histórica entre os estados, marcada pela migração de famílias paranaenses nas décadas de 70 e 80. Hoje, essa relação se traduz em cooperação técnica e estratégias conjuntas nas áreas de inovação, sustentabilidade e energia limpa.
“Produzir alimento é uma questão de soberania nacional. Gerar energia limpa a partir disso é um diferencial competitivo para o país”, afirmou.
Futuro dos biocombustíveis: oportunidades de trabalho e investimentos
A expansão do setor de biocombustíveis representa não apenas ganhos ambientais, mas também grandes oportunidades econômicas e profissionais. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), os investimentos no setor podem ultrapassar R$ 500 bilhões até 2032, com geração de empregos em diferentes frentes: indústria, tecnologia, logística e pesquisa.
Além do etanol, o país também avança em outras fontes de energia renovável, como biodiesel, biogás e o SAF (combustível sustentável para aviação), ampliando ainda mais o campo de atuação da economia verde no Brasil.