Brasil registra expansão histórica do etanol de milho com R$ 40 bilhões em investimentos
Brasil registra expansão histórica do etanol de milho com R$ 40 bilhões em investimentos
Da redação com informações do Compre Rural
O setor de etanol de milho no Brasil vive um momento histórico, com investimentos que superam R$ 40 bilhões nos últimos cinco anos. Os recursos foram destinados à construção de novas usinas, ampliação de plantas existentes e projetos de infraestrutura, colocando o país em posição de destaque na produção global. Hoje, o etanol de milho já representa cerca de 25% de toda a produção nacional, com expectativa de ultrapassar 10 bilhões de litros anuais em 2025, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O crescimento é impulsionado pela abundância de milho, preços competitivos, aumento da demanda por biocombustíveis e políticas públicas que ampliaram a mistura obrigatória de etanol à gasolina, consolidando o cereal como ativo estratégico para energia, alimentação e exportação.
A FS Bioenergia, pioneira na produção de etanol 100% milho no país, mantém a liderança em inovação desde 2017, operando três unidades em Mato Grosso que juntas somam 2,3 bilhões de litros/ano. A empresa anunciou um novo investimento de R$ 2 bilhões para erguer sua quarta usina em Campo Novo do Parecis (MT), com capacidade de 540 milhões de litros anuais, além da produção de DDG e energia elétrica, com inauguração prevista para 2026, elevando sua capacidade total para quase 3 bilhões de litros por ano.
A Inpasa, de origem paraguaia, é atualmente a maior produtora de etanol de milho do Brasil, com três usinas em operação e duas em construção nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A usina de Balsas (MA), inaugurada em agosto de 2025, contou com R$ 2,5 bilhões em investimentos e capacidade para 925 milhões de litros anuais. A empresa também projeta unidades em Luís Eduardo Magalhães (BA) e Rio Verde (GO), totalizando aportes que devem levar a produção a 5 bilhões de litros por ano nos próximos anos.
Grupos tradicionais do setor sucroenergético também entraram no mercado de milho. A CerradinhoBio inaugurou sua usina em Maracaju (MS) em 2024, com investimento de R$ 1,08 bilhão e capacidade de 266 milhões de litros/ano, enquanto a São Martinho aplicou cerca de R$ 350 milhões em sua primeira destilaria de milho, anexa à Usina Boa Vista (GO), com produção de 210 milhões de litros por ano.
O setor atrai novos investidores, como o Grupo Potencial no Paraná, a 3Tentos em Mato Grosso e a Millenium BioEnergia na Amazônia, que juntos somam bilhões de reais em investimentos e devem inaugurar usinas até 2026. Projetos cooperativos também se destacam, reforçando a relevância regional da produção.
Com a expansão prevista, o etanol de milho deixa de ser coadjuvante e se consolida como protagonista na transição energética brasileira, gerando também coprodutos de alto valor, como DDG para ração e óleo de milho. O país deve se tornar a segunda maior potência mundial do etanol de milho, atrás apenas dos Estados Unidos, fortalecendo sua liderança na bioenergia.