CEO da Kepler Weber afirma que déficit de armazenagem deve sustentar demanda por até 40 anos
CEO da Kepler Weber afirma que déficit de armazenagem deve sustentar demanda por até 40 anos
Da redação com informações do Compre Rural
O déficit estrutural de armazenagem no Brasil deverá sustentar a demanda por novas unidades por pelo menos três décadas, segundo o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira. Durante o Kepler Day 2025, realizado nesta quinta-feira, ele afirmou que o País consegue armazenar hoje apenas 60% da produção de grãos, percentual bem abaixo dos 93% registrados em 2016. Para o executivo, não há expectativa de reversão desse quadro no curto ou médio prazo.
“O déficit não é conjuntural. É estrutural e deve continuar pelos próximos 30 ou 40 anos”, afirmou Nogueira. Ele destacou que, mesmo em um ciclo adverso para o agronegócio — com preços mais baixos das commodities, juros elevados e crédito restrito — a demanda por armazenagem permanece firme. Segundo ele, a companhia iniciou 2025 com uma carteira de pedidos superior à do ano anterior. “Mesmo com turbulência, armazenagem virou prioridade crítica.”
Os comentários foram feitos após a Kepler Weber divulgar os resultados do terceiro trimestre. A margem Ebitda atingiu 17,4%, aumento de 5,2 pontos porcentuais em relação ao trimestre anterior. Já o lucro líquido somou R$ 51,6 milhões, queda de 13,5% na comparação anual. Para Nogueira, o desempenho reforça a mudança estrutural da empresa. “Já operamos nesse mesmo cenário macro com Ebitda negativo. Hoje rodamos próximos de 16% nos últimos 12 meses.”
O CEO explicou que a transformação da companhia se apoia em três eixos: o déficit histórico de armazéns no Brasil, um plano de diversificação desenvolvido na última década e um modelo de gestão mais enxuto implementado a partir de 2015. Embora reconheça que o setor vive um momento de margens pressionadas, Nogueira afirma que a armazenagem se tornou um investimento inadiável. “Quando o produtor está apertado, ele até adia a compra de trator ou pulverizador, mas não abre mão da armazenagem. Ela reduz risco, dá velocidade e preserva valor.”
Nogueira também ressaltou a competitividade singular do agronegócio brasileiro, impulsionada pelo plantio de duas safras no mesmo verão, prática que permitiu a expansão da produção de 50 milhões para mais de 350 milhões de toneladas em uma geração. O avanço, porém, aumenta a necessidade de velocidade nas operações de limpeza, secagem e estocagem.
Sobre as perspectivas para 2026, o executivo prevê um ambiente econômico mais desafiador, mas reforça que a Kepler Weber está preparada, com operação organizada e portfólio diversificado. “A Kepler se transformou. Somos outra empresa.”