China amplia cultivo de milho transgênico e transforma 90 milhões de hectares em áreas agrícolas
China amplia cultivo de milho transgênico e transforma 90 milhões de hectares em áreas agrícolas
Da redação com informações do Compre Rural
A China está acelerando sua estratégia de segurança alimentar com duas frentes principais: a ampliação do cultivo de milho transgênico e a transformação de 90 milhões de hectares em terras agrícolas de alto padrão até 2030. A medida visa reduzir a dependência de grãos importados e garantir o abastecimento interno diante de incertezas geopolíticas.
Em 2025, a área plantada com milho geneticamente modificado no país deve chegar a cerca de 3,3 milhões de hectares — quatro vezes mais que em 2024. Ainda assim, isso representará apenas 7% da produção nacional de milho, índice bem abaixo dos mais de 90% registrados nos Estados Unidos e no Brasil.
O uso de biotecnologia no campo avança, mas segue sob forte regulação estatal. Apesar da liberação de novas sementes nos últimos anos, o governo chinês impõe restrições rigorosas à comercialização e ao cultivo, o que tem gerado excedentes nas empresas e dificultado o planejamento agrícola.
Relatórios recentes apontam que algumas variedades transgênicas não se adaptaram bem ao solo local, resultando em perdas de produtividade de até 20%. Mesmo assim, cresce o interesse por sementes com maior resistência a pragas e à seca, inclusive com o uso ilegal em algumas regiões.
Além do milho, a China importa mais de 100 milhões de toneladas de grãos por ano, muitos voltados à alimentação animal. Reduzir essa dependência é uma prioridade estratégica, especialmente após as tensões comerciais com os Estados Unidos, que em 2024 responderam por 15% das importações chinesas de milho.
Transformação de terras e digitalização agrícola
A segunda frente do plano chinês é transformar 90 milhões de hectares em terras agrícolas de alto padrão até 2030, por meio de investimentos em infraestrutura rural, sistemas de irrigação, controle climático e agricultura de precisão. Até o fim de 2024, cerca de 66,6 milhões de hectares já haviam sido convertidos.
Entre os avanços tecnológicos, destacam-se:
- Sistemas modernos de irrigação e drenagem
- Controle contra desastres naturais
- Uso de GPS, sensores e inteligência artificial
- Monitoramento de solo e clima em tempo real
Com essas ações, a produção de grãos da China alcançou 706,5 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior. Desde 2021, o país registra crescimento contínuo na área cultivada.
Segurança alimentar como estratégia nacional
A aposta em biotecnologia, expansão agrícola e digitalização do campo reforça o objetivo central do governo: garantir a segurança alimentar e reduzir vulnerabilidades externas. A meta é manter a autossuficiência em grãos e proteínas, protegendo o país de choques externos e mantendo o controle estatal sobre a produção agrícola.