Citi aponta usinas que devem enfrentar menos pressão em 2026
Citi aponta usinas que devem enfrentar menos pressão em 2026
Da redação com informações do The AgriBiz
A São Martinho e a Jalles Machado devem atravessar 2026 com maior resiliência em comparação à Raízen, em um cenário que tende a permanecer desafiador para o setor sucroenergético brasileiro. A avaliação é do Citi, em relatório assinado pelos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, que destaca eficiência operacional e estratégias de hedge como fatores determinantes para mitigar riscos de rentabilidade no próximo ciclo.
Segundo o banco, a São Martinho se beneficia de maior eficiência industrial, enquanto a Jalles Machado conta com volumes expressivos de açúcar já travados, o que garante maior previsibilidade de receita. Já a Raízen segue pressionada pelas dificuldades operacionais e comerciais relacionadas às novas frentes de negócio, como etanol de segunda geração e biogás.
O Citi manteve recomendação de compra para São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3). Para a Raízen (RAIZ4), a indicação permaneceu neutra.
Pressões do mercado e reflexos da última safra
Em 2025, as usinas enfrentaram preços mais baixos e queda de produtividade, influenciados pelas queimadas de 2024 e pelas adversidades climáticas ao longo da safra. De acordo com o relatório, a estratégia predominante foi maximizar a produção de açúcar no início da colheita, ajustando o mix posteriormente para aproveitar o melhor desempenho do etanol, que atualmente opera com prêmio de cerca de 2,5 centavos de dólar por libra-peso sobre o açúcar.
Para 2026, o banco projeta um ambiente novamente pressionado. Preços fracos do açúcar e possível recuo nas cotações do etanol podem reduzir margens e levar usinas a postergar investimentos em manutenção de canaviais ou até interromper operações menos rentáveis. Os valores praticados permanecem, segundo o Citi, abaixo do custo de produção para grande parte dos produtores.
A exceção são usinas em regiões distantes do litoral, onde o custo logístico para exportar açúcar é elevado e há incentivos fiscais relacionados ao etanol. Nessas áreas, quando os preços de açúcar e etanol se aproximam, o mix tende a favorecer o biocombustível.
Tendência de mix mais alcooleiro
O Citi projeta processamento de 625 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, alta de 3% em relação ao ciclo anterior. A expectativa é de aumento da produção de etanol, sustentado por dois fatores principais:
- melhor dinâmica de preços do etanol em comparação ao açúcar;
- menor volume de hedge de açúcar realizado até o momento, o que amplia a flexibilidade para ajustes no mix.
A demanda doméstica também deve receber impulso do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 27% para 30% a partir de agosto. Estoques reduzidos contribuem para alguma sustentação de preços no curto prazo. No entanto, o Citi pondera que a oferta crescente — tanto de etanol de cana quanto de milho — pode limitar esse movimento, com maior probabilidade de tendência de queda nas cotações ao longo de 2026.
Reforço financeiro para a Jalles Machado
A Jalles Machado anunciou nesta semana que obteve R$ 200 milhões em financiamento do BNDES por meio do Programa Brasil Soberano Crédito Emergencial. O mecanismo foi criado para mitigar prejuízos decorrentes do tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre importações de açúcar orgânico — produto no qual a empresa tem forte presença, com metade das exportações destinadas ao mercado norte-americano.
O financiamento terá juros de 3,53% ao ano, carência de 12 meses e amortização em 48 parcelas mensais entre janeiro de 2027 e dezembro de 2030.