02/11/2025

Com produtor asfixiado, Kepler Weber mantém equilíbrio com receitas em outras frentes

Com produtor asfixiado, Kepler Weber mantém equilíbrio com receitas em outras frentes

Da redação com informações do The AgriBiz

A Kepler Weber encerrou o terceiro trimestre com resultados ainda pressionados, mas mostrando sinais de recuperação gradual. Mesmo em um cenário marcado por margens comprimidas, restrição de crédito e juros altos, a companhia tem conseguido mitigar perdas ao fortalecer novas verticais de receita, como exportações, portos e serviços.

O CEO Bernardo Nogueira comparou a situação da empresa a um Boeing que continua voando mesmo com apenas uma turbina em funcionamento. “Assim como um Boeing voa com uma turbina só, a gente estabiliza nosso resultado, mesmo em ano de crise, com o motor que segue ligado: o déficit de armazenagem no País”, afirmou. Ele destacou que o Brasil possui apenas 17% da capacidade de armazenagem dentro das fazendas, contra 40% na Argentina e 60% nos Estados Unidos, e que a meta é elevar o índice nacional para 30% em dez anos.

Os números do trimestre mostram uma desaceleração menor nas principais linhas. A receita líquida caiu 3,6% na comparação anual, para R$ 423,3 milhões. O Ebitda recuou 20,8%, para R$ 73,6 milhões, e o lucro líquido diminuiu 13,5%, para R$ 51,6 milhões. Embora negativos, os resultados representaram quedas menores do que nos dois trimestres anteriores de 2025. A margem Ebitda subiu 5,2 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, e o indicador respondeu por 45% do acumulado do ano.

De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores, Renato Arroyo, o desempenho foi impactado por uma despesa não recorrente de R$ 11,2 milhões referente ao reconhecimento de créditos tributários extemporâneos, conforme a Lei Complementar 160/2017. Sem esse efeito, o Ebitda teria sido cerca de 15% maior. “Seguimos fechando a diferença e preparando um 2026 mais positivo”, afirmou o executivo.

Com os produtores rurais enfrentando escassez de crédito e garantias, o segmento de fazendas — historicamente o mais importante da companhia — respondeu por 32,3% da receita no trimestre. Para compensar, a Kepler reforçou as operações em outras frentes. Os segmentos de internacional, portos e manutenção, que representavam 32% do faturamento no terceiro trimestre de 2024, passaram a responder por 42%.

O desempenho internacional cresceu 23,6% em relação ao ano anterior, com destaque para a Argentina, que se tornou o principal cliente externo, aumentando sua participação de 3% para 17% das vendas internacionais. Também houve negócios no Peru, Uruguai e Venezuela, este último com pagamento antecipado e considerado o maior projeto da história da empresa fora do Brasil.

O segmento de Portos e Terminais teve avanço expressivo de 97,4% em um ano, com vendas para empreendimentos na Bahia e no Mato Grosso. Já Reposição e Serviços cresceu 10,8%, impulsionado por modernizações e pela linha de selecionadoras ópticas comercializadas sob a marca Seletron.

Mesmo com retração de 30,6% na vertical de agroindústrias, o setor de biocombustíveis ajudou a conter perdas. Um contrato com uma grande esmagadora de soja no Paraná contribuiu para o desempenho, e novos anúncios ligados a biocombustíveis devem ser feitos até o fim do ano. Entre as inovações, a empresa destacou o KW Biocav, alimentador e secador automático de cavacos de madeira, e o CTF Carretel, voltado ao transporte de grãos — ambos destinados à indústria de biocombustíveis.

O Mato Grosso segue como o principal mercado da empresa, especialmente em cidades como Lucas do Rio Verde e Sorriso, onde o movimento tem sido de verticalização, com produtores investindo em frota, irrigação e armazenagem. Diante da fragilidade financeira dos clientes, a Kepler concedeu mais descontos, mas ampliou sua base em 13% no comparativo anual. “Hoje temos tickets menores, porém mais clientes, o que gera recorrência em serviços e peças de reposição”, avaliou Arroyo.

Apesar das adversidades, a companhia aposta na recuperação gradual do setor e na manutenção da tese de investimento baseada no déficit estrutural de armazenagem no Brasil. A base de acionistas aumentou 13,7% em 12 meses, chegando a 86,2 mil investidores. As ações da Kepler Weber (KEPL3) acumulam queda de 14,7% em 12 meses, mas subiram 5% nos últimos 30 dias.

 

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