24/08/2025

Coopavel abre portas para imigrantes e se torna referência nacional em inclusão no agro

Coopavel abre portas para imigrantes e se torna referência nacional em inclusão no agro

Da redação com informações do AGFeed

Cascavel, no Oeste do Paraná, se transformou em um dos principais polos de acolhimento de imigrantes no Brasil. Boa parte desse movimento passa pela Coopavel Cooperativa Agroindustrial, que hoje emprega mais de 2.300 estrangeiros de 17 nacionalidades. Haitianos e venezuelanos lideram essa integração, somando quase 30% da força de trabalho.

A história de quem chegou até aqui é marcada por desafios, mas também por oportunidades.

Do colapso na Venezuela ao novo começo no Paraná

A contadora Joselin Del Carmen Franco Mata deixou a Venezuela há nove anos, quando a crise política e econômica levou milhares de conterrâneos a cruzarem a fronteira com o Brasil. Depois de passar por Roraima, recebeu a dica de se mudar para Cascavel, onde conseguiu emprego na Coopavel. Começou como auxiliar de escritório, foi promovida e trouxe a família para o Paraná.
“Oportunidade está no Brasil”, resume.

Resiliência haitiana

O haitiano Junior Marius também encontrou futuro em Cascavel. Ele deixou seu país em 2014, após perder a pequena fazenda da família para gangues locais. Começou na linha de produção da Coopavel e hoje é encarregado. “O Brasil é um dos países que melhor recebe estrangeiro”, afirma.

A conterrânea Redonda Doriscar, que chegou ainda adolescente, aprendeu português, fez faculdade de enfermagem e hoje é inspetora de qualidade na cooperativa. “As pessoas me acolheram muito bem, mas lidar com gente não é fácil, às vezes preciso cobrar”, brinca.

Da engenharia ao agro brasileiro

Entre os venezuelanos, o engenheiro mecânico Luis Alfonzo Rodriguez conseguiu trabalhar na sua área e hoje é desenhista mecânico na Coopavel. Já Carlos Eduardo Bautista Jimenes, com experiência agrícola, iniciou como auxiliar de expedição e em pouco tempo se tornou monitor de setor. Sua esposa e filhos também encontraram emprego na cooperativa.

“Como imigrante, posso garantir que o Brasil é o melhor do mundo. Aqui fomos acolhidos e recebemos oportunidade”, destaca Jimenes.

Inclusão vai além dos estrangeiros

O espírito de acolhimento não se restringe a quem vem de fora. O brasileiro Willian Almeida Polido deixou a Coopavel para estudar inglês na Irlanda, enfrentou trabalhos pesados para se sustentar e voltou fluente ao Brasil. Em pouco tempo, foi chamado de volta pela cooperativa e hoje atua como supervisor de exportação.

Por que Cascavel?

Segundo Aguinel Marcondes Waclawovsky, gerente de Recursos Humanos da Coopavel, a combinação de fatores explica o sucesso da integração. Cascavel é uma cidade grande, historicamente receptiva a migrantes, e a Coopavel é sua maior empregadora.
“Fizemos questão de adaptar treinamentos e até contratos em francês e crioulo para os haitianos, porque a barreira do idioma era grande”, explica.

Com 7.701 funcionários no total, a Coopavel destoa da média nacional, onde menos de 1% dos empregos formais são ocupados por estrangeiros. A experiência mostra que inclusão, quando bem organizada, fortalece tanto empresas quanto comunidades.

A história da Coopavel mostra que acolher é também uma forma de crescer. Em Cascavel, migrantes e brasileiros trabalham lado a lado e constroem um agro mais plural, humano e solidário.

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