24/05/2025

Cooperativas gaúchas anunciam investimento de R$ 1,2 bilhão em nova indústria de biodiesel em Cruz A

Cooperativas gaúchas anunciam investimento de R$ 1,2 bilhão em nova indústria de biodiesel em Cruz Alta

Da redação com informações do AGFeed

Três das principais cooperativas agropecuárias do Rio Grande do Sul — Cotrijal, Cotripal e Cotrisal — vão investir cerca de R$ 1,25 bilhão na construção de uma planta industrial para a produção de biodiesel em Cruz Alta, no Noroeste do estado. O empreendimento, que será batizado de Soli3, ocupará uma área de aproximadamente 138 hectares e tem previsão de iniciar as operações até o final de 2027.

O projeto é ambicioso: a indústria vai processar até 3 mil toneladas de soja por dia, somando 1 milhão de toneladas por ano. A expectativa é de que a planta gere 192 mil toneladas de biodiesel, além de subprodutos como farelo de soja (728,8 mil toneladas), glicerina (19,8 mil toneladas) e casca de soja (59,4 mil toneladas). O faturamento projetado é de R$ 2,2 bilhões anuais.

Segundo Nei César Manica, presidente da Cotrijal, a abundância de matéria-prima foi essencial para viabilizar o projeto. “Temos soja suficiente para abastecer duas plantas do porte da Soli3. Isso nos dá segurança para avançar”, declarou em entrevista à Rádio Gaúcha.

Logística como desafio e oportunidade

Um ponto central do projeto é a logística. A planta terá ligação direta com a ferrovia que liga Cruz Alta ao Porto de Rio Grande, a cerca de 500 km de distância. A ideia é facilitar o escoamento de soja, farelo e óleo vegetal, reduzindo os custos logísticos e aumentando a competitividade do produto gaúcho.

No entanto, a malha ferroviária da região enfrenta sérios desafios. Após as enchentes de 2024, cerca de 759 km de trilhos foram danificados no estado. A concessionária Rumo, responsável pela Malha Sul, já sinalizou a intenção de devolver parte das rotas ferroviárias, mantendo apenas o trecho entre Cruz Alta e Rio Grande.

Manica afirmou que a Cotrijal já iniciou conversas com a Rumo para viabilizar o transporte ferroviário da produção da nova planta. Ele também destacou que, se a Rumo não quiser investir, será necessário buscar uma nova concessionária para garantir o funcionamento logístico da região. “A malha ferroviária do Rio Grande do Sul está muito decadente. Se for preciso, outra empresa deve assumir a operação”, disse.

Biodiesel como alternativa estratégica

A aposta no biodiesel fortalece ainda mais o papel do Rio Grande do Sul como líder nacional na produção do biocombustível. Hoje, o estado responde por cerca de 1,7 bilhão de litros por ano, concentrando nove usinas, a maioria delas no Norte gaúcho.

Com a nova planta, as cooperativas pretendem aproveitar ao máximo o potencial da soja produzida pelos associados e consolidar uma cadeia de valor mais integrada e eficiente. Embora, por ora, o foco esteja exclusivamente na soja, o projeto prevê possibilidades futuras de diversificação para outras commodities, como milho e trigo — desde que haja disponibilidade de matéria-prima.

Futuro promissor

Além de estimular a produção de energia renovável, o empreendimento tem potencial para impulsionar o desenvolvimento regional, gerar empregos e fomentar investimentos em infraestrutura. A planta Soli3 reforça o papel das cooperativas no avanço do agronegócio nacional e destaca a importância de soluções logísticas para garantir competitividade no mercado internacional.

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