De Bonanza a Citation: o agro brasileiro agora voa em jatos de bilhões
De Bonanza a Citation: o agro brasileiro agora voa em jatos de bilhões
Da redação com informações da Forbes Agro
O agronegócio brasileiro vive uma nova era – e agora também nos céus. Jatos como o Cessna Citation Latitude, com valor acima de R$ 110 milhões, têm sido incorporados à rotina de grandes produtores. Mais que símbolo de status, a aviação executiva se tornou uma extensão natural das operações no campo.
O recente Catarina Aviation Show, evento fechado realizado em São Roque (SP), reuniu empresários do agro e fabricantes da aviação de ponta. Mas antes disso, o mesmo jato Citation Latitude fez escala em Cuiabá (MT) para participar da Bom Futuro Experience, feira promovida pela família Maggi Scheffer, que investiu R$ 100 milhões em um aeroporto próprio. Ali, além das 17 aeronaves agrícolas, a família mantém 10 jatos executivos com foco logístico e estratégico.
A infraestrutura é destaque: além do terminal recém-inaugurado, o local abriga cerca de 70 aeronaves, 95% delas pertencentes a produtores rurais – um patrimônio estimado em R$ 1,1 bilhão.
Essa movimentação impulsiona negócios em setores como o de combustíveis. A Pioneiro, empresa fundada em Manaus e com atuação nacional, abastece 34 aeroportos e prevê faturamento de R$ 380 milhões em 2025 – 60% vindo do agro. Com infraestrutura robusta em polos agrícolas como Sorriso (MT), a companhia armazena até 15 milhões de litros de combustível no país.
Segundo dados da Anac, o Brasil possui mais de 15 mil aeronaves civis, e o Centro-Oeste se destaca como segunda maior frota nacional. Apenas em Mato Grosso, são 1.857 aeronaves registradas. A tendência é de crescimento contínuo.
Para Luiz Stumff, gerente da TAM Aviação Executiva, os jatos e helicópteros já são considerados ferramentas de produtividade. “O produtor de hoje lidera operações em vários estados, participa de reuniões em grandes centros e negocia com o exterior. O avião encurta essas distâncias com eficiência”, diz.
A TAM, representante das marcas Cessna, Beechcraft e Bell, atende demandas cada vez mais técnicas. Os modelos mais procurados vão dos turboélices como o King Air aos jatos leves como o CJ3, com foco em viagens médias e longas.
Helicópteros também entraram na estratégia. Segundo Daniel Cagnacci, da Bell Helicópteros, eles são decisivos em deslocamentos curtos, visitas técnicas e transporte de insumos. “Muitos clientes compram o helicóptero antes mesmo do avião, pela agilidade”, afirma.
O perfil do agro mudou. Jovens gestores enxergam tempo como ativo financeiro e buscam ganhos logísticos para operações cada vez mais complexas. A presença constante em feiras como Agrishow e Bahia Farm Show reforça que, no agro de alta performance, voar é parte do negócio.