Decisão do governo sobre biodiesel impacta ações da 3tentos
Decisão do governo sobre biodiesel impacta ações da 3tentos
Da redação com informações do The AgriBiz
A recente decisão do governo de manter a mistura do biodiesel ao diesel fóssil em 14%, adiando o aumento para 15% que estava previsto para março, gerou um forte impacto no setor de processamento de soja. O reflexo veio rapidamente no mercado financeiro: as ações da 3tentos registram queda de 7%, impulsionadas por previsões de impacto negativo nos resultados da empresa.
Com isso, o Santander revisou sua posição em relação à companhia, retirando a recomendação de compra para as ações e reduzindo o preço-alvo de R$ 19 para R$ 18 – ainda assim, um potencial de valorização de 15% em relação ao fechamento do último pregão.
Segundo os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, do Santander, o biodiesel tem sido o principal fator por trás das elevadas margens de esmagamento no Brasil, pois representa 70% da demanda por óleo de soja. “Agora, esperamos uma queda nos preços em relação ao pico registrado em novembro, quando distribuidoras ampliaram seus estoques já prevendo o aumento da taxa de mistura”, explicam.
No terceiro trimestre de 2023, a 3tentos atingiu um recorde de margem de R$ 621 por tonelada, impulsionada pela valorização do biodiesel, cujos preços subiram quase 50% no ano passado. Diante desse cenário favorável, a empresa revisou suas projeções de produção para o ano, elevando a expectativa de 490 mil metros cúbicos para 560 mil metros cúbicos.
Agora, com o adiamento da elevação da mistura, os analistas preveem uma redução na margem bruta da divisão industrial da 3tentos, caindo de 23% no quarto trimestre de 2024 para 18% ao longo de 2025. As estimativas consideram um preço médio do biodiesel de R$ 5,50 por litro e uma normalização das margens de esmagamento.
Incertezas sobre investimentos no setor
A decisão do governo reacendeu preocupações sobre a continuidade do cronograma de aumento da mistura do biodiesel, que tem como meta atingir 20% até 2030. Além disso, o adiamento gera insegurança para novos investimentos no setor.
De acordo com projeções do Santander, manter o cronograma original e elevar a mistura para 15% em março poderia gerar um aumento de apenas 0,5% no custo do diesel para distribuidores. No entanto, essa alta, mesmo que pequena, poderia pressionar o valor do frete e impactar a inflação – um ponto sensível para o governo.
Vale lembrar que o cenário atual remete a 2021, quando o governo Bolsonaro reduziu a mistura de biodiesel de 13% para 10%, trazendo incertezas para a expansão do setor. Agora, com um novo adiamento, especialistas questionam a viabilidade da meta de 20% até 2030 e os impactos na capacidade de crescimento das empresas do segmento.
Após reunião com representantes da indústria, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, declarou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve reavaliar o cronograma de aumento da mistura dentro de 60 dias.
Modelo de negócios ainda se destaca
Apesar da incerteza no setor, o Santander ainda vê a 3tentos como uma empresa bem posicionada no mercado. Nos últimos anos, a companhia conseguiu se destacar mesmo diante da queda nos preços dos insumos agrícolas, ao contrário de algumas concorrentes que registraram perdas.
Com o novo cenário, os analistas do banco ajustaram suas previsões e agora projetam um Ebitda de R$ 1 bilhão para 2025 – cerca de 3% abaixo do consenso do mercado.
Atualmente, as ações da 3tentos estão cotadas a R$ 14,60, acumulando alta de 53% nos últimos 12 meses. A empresa tem valor de mercado estimado em R$ 7,3 bilhões na B3.