02/12/2025

Do silo à usina solar: GoodWe mira expansão no agro brasileiro

Do silo à usina solar: GoodWe mira expansão no agro brasileiro

Da redação com informações do AGFeed

A GoodWe, uma das maiores fabricantes globais de soluções para energia solar, estuda instalar uma fábrica na América do Sul até 2030 — com o Brasil como principal candidato. O plano envolve investimentos de grande porte e reflete o avanço do mercado fotovoltaico brasileiro, especialmente no agronegócio.

Segundo Fábio Mendes, vice-presidente da GoodWe na América Latina, o potencial de geração solar do País e a crescente demanda por autonomia energética no campo colocam o Brasil como líder natural para receber a nova planta. Hoje, além da matriz na China, a empresa mantém produção no Vietnã.

Expansão impulsionada por falhas na rede elétrica

A GoodWe chegou ao Brasil em 2018 e rapidamente identificou oportunidades decorrentes da instabilidade do fornecimento de energia. Enquanto o Brasil registra cerca de 860 quedas por ano, países como a Alemanha têm pouco mais de dez interrupções anuais.

No agronegócio, sistemas de irrigação, secagem e armazenagem dependem de energia estável. Já entre 20% e 25% das vendas da companhia no País vêm de clientes rurais, e a expectativa é que esse percentual se aproxime de 40% em 2026.

Os inversores híbridos, capazes de carregar baterias e garantir operação durante blecautes, lideram as vendas do segmento. Tecnologias de estabilização de tensão por dupla conversão DC também têm crescido em demanda.

Centro-Oeste concentra maior potencial

A região Centro-Oeste é hoje o principal mercado de expansão da GoodWe, impulsionado por grandes propriedades agrícolas e pelo aumento da demanda por geração própria. A empresa atua em parceria com integradores regionais, responsáveis por engenharia, instalação e readequações elétricas.

Além das usinas tradicionais, a companhia aposta em sistemas com armazenamento para uso no horário de pico, entre 18h e 21h, quando a energia é mais cara.

Silos e estruturas rurais como plantas solares

A GoodWe também começou a ofertar no Brasil o BIPV, tecnologia fotovoltaica integrada à edificação. Módulos ultraleves e flexíveis podem ser aplicados diretamente em fachadas, telhados, armazéns e até silos, transformando estruturas existentes em geradoras de energia.

A linha Galaxy utiliza módulos adesivados com camada de vidro resistente ao granizo, sem necessidade de perfurações ou reforços estruturais. Já a linha Polaris substitui telhas tradicionais com um sistema de encaixe que garante escoamento de água. Ambas reduzem significativamente o peso instalado, o tempo de montagem e os custos com mão de obra.

Os primeiros projetos foram implementados no Mato Grosso, especialmente em propriedades onde infiltrações ou limitações estruturais impedem o uso de painéis tradicionais.

Retorno e viabilidade

O retorno médio de investimentos em energia solar no Brasil varia entre 4,5 e 6 anos, mas pode ser menor quando contabilizados prejuízos recorrentes causados por quedas de energia. Segundo Mendes, produtores que operam sistemas críticos podem recuperar o investimento em menos de quatro anos.

 

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