03/09/2025

Embrapa desenvolve soja brasileira sob medida para o mercado sul-coreano

Embrapa desenvolve soja brasileira sob medida para o mercado sul-coreano

Da redação com informações do Canal Rural

A Embrapa está desenvolvendo cultivares de soja convencional voltadas especialmente para a alimentação humana na Coreia do Sul, país que consome cerca de 360 mil toneladas do grão por ano para a produção de tofu, leite e pasta fermentada (doenjang).

Na última quinta-feira (28), representantes da Korea Agro-Fisheries & Food and Trade Corporation (aT) — empresa pública que importa alimentos para a Coreia — visitaram ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU) conduzidos pela Embrapa na Fazenda Dourados, do Grupo Recanto, em Paracatu (MG).

Parceria internacional

Em 2024, a aT assinou um memorando de entendimento com a Embrapa Cerrados e a Fundação Cerrados para desenvolver variedades de soja não transgênica e de alto rendimento, adaptadas ao uso alimentar. A empresa, que até então importava grãos dos Estados Unidos, busca diversificar fornecedores.

Segundo a diretora da aT em São Paulo, Yousun Jung, foram analisadas amostras de cinco linhagens brasileiras em laboratório, resultando na seleção de duas que mais se aproximaram do tofu consumido no mercado coreano. Agora, 700 quilos de grãos dessas variedades serão enviados para testes industriais.

Melhoramento participativo

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, destacou que o projeto representa um novo modelo de pesquisa:

“Estamos realizando um melhoramento participativo, no qual a seleção genética se baseia também nos parâmetros industriais trazidos diretamente pelo cliente.”

É a primeira vez que a Embrapa Cerrados conduz um programa de melhoramento voltado especificamente à demanda da indústria alimentícia internacional.

Cultivares em teste

Na Fazenda Dourados, 132 linhagens estão em avaliação. Uma das cultivares já escolhidas pelos coreanos foi plantada em 0,9 hectare, enquanto outras sete estão em fase de registro em uma área de 6 hectares irrigados. Além da produtividade, o foco está no alto teor de proteína (acima de 36%) e nos ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 e ômega-3, requisitos essenciais do mercado asiático.

O grupo Recanto também vislumbra a possibilidade de multiplicar soja convencional para consumo humano e sementes, aproveitando o cultivo em período de inverno com manejo nutricional diferenciado.

Próximos passos

De acordo com o presidente do Instituto Soja Livre e da Fundação Cerrados, Luiz Fiorese, até meados de 2026 já será possível obter sementes suficientes para iniciar a produção em escala comercial.

“Estamos ampliando o leque da soja convencional, que não se limita mais ao mercado europeu. Esse movimento abre portas não só na Coreia do Sul, mas também em outros países asiáticos, como o Japão.”

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