Estudo revela crescimento e perfil do mercado de trabalho na cadeia da soja no Brasil
Estudo revela crescimento e perfil do mercado de trabalho na cadeia da soja no Brasil
Da redação com informações do Canal Rural
Atenas, Grécia – setembro de 2025 – O pesquisador Rodrigo Peixoto da Silva, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), apresentou no 64º Congresso da European Regional Science Association (ERSA), em Atenas, um estudo que analisa a evolução do mercado de trabalho na cadeia produtiva da soja e do biodiesel no Brasil. O levantamento foi desenvolvido em parceria entre o Cepea e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Crescimento da ocupação
De acordo com os dados, a população ocupada no setor dobrou entre 2012 e 2024, passando de 1,13 milhão para 2,26 milhões de trabalhadores. O segmento de serviços continua sendo o principal empregador, reunindo 1,6 milhão de pessoas em 2024. Já a produção primária de soja apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 118% no período. A indústria também avançou, somando cerca de 89 mil empregos – aumento de 56%.
Perfil dos trabalhadores
O mercado de trabalho na cadeia da soja é majoritariamente masculino, formal e cada vez mais qualificado. Em média, 77% dos profissionais atuam com carteira assinada e a participação feminina permanece em torno de 35%. O nível de escolaridade avançou de forma significativa: a proporção de trabalhadores com ensino médio passou de 32,8% para 40,2%, e os de nível superior subiram de 12% para 20,2% entre 2012 e 2024.
No mesmo período, os rendimentos também melhoraram. Na produção primária, os salários reais aumentaram 37%, enquanto a indústria registrou alta de 22%, refletindo a valorização da mão de obra mais qualificada.
Distribuição regional
O Sul do Brasil lidera o emprego na produção de soja, com destaque para microrregiões como Cruz Alta, Santiago e Ijuí (RS), além de Campo Mourão e Guarapuava (PR). O número de trabalhadores chegou a 293 mil em 2021, mas caiu para 245 mil em 2023.
O Centro-Oeste ocupa a segunda posição, mas com forte concentração regional: quatro microrregiões – Sudoeste de Goiás, Dourados (MS), Campo Novo do Parecis e Alto Teles Pires (MT) – responderam por 40% da força de trabalho ligada à soja na região entre 2022 e 2024.
Relevância internacional
Para o pesquisador Rodrigo Peixoto, apresentar o estudo no congresso internacional foi uma oportunidade de inserir o caso brasileiro no debate global. “É fundamental mostrar nossa realidade, encontrar pontos em comum com outros países e discutir soluções para desigualdades regionais”, destacou.