03/10/2025

Etanol de milho avança no Matopiba e abre nova fronteira da bioenergia no Brasil

Etanol de milho avança no Matopiba e abre nova fronteira da bioenergia no Brasil

Da redação com informações do AgrofyNews

O etanol de milho, já consolidado no Centro-Oeste como alternativa energética, começa a ganhar espaço em uma nova região estratégica: o Matopiba — que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A instalação de biorrefinarias na região deve ampliar a produção nacional e consolidar novos polos de bioenergia. Hoje, o milho já responde por 23% de todo o etanol produzido no país, e agora move grandes investimentos no Matopiba.

Segundo levantamento do Estadão, estão em andamento três usinas em construção, uma recém-inaugurada e outras quatro aguardando autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Juntas, terão capacidade de 7,3 mil m³ de etanol por dia, número superior ao previsto para as regiões Sul (1,7 mil m³/dia) e Norte (1,2 mil m³/dia, sem contar Tocantins).

O Centro-Oeste, porém, continua na liderança absoluta: já conta com capacidade instalada de 29,5 mil m³/dia e pode chegar a 50 mil m³/dia nos próximos anos, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Expansão no Matopiba

Com abundância de grãos e baixa participação do etanol até agora, o Matopiba se tornou alvo natural da indústria. Em 2025, a Inpasa inaugurou uma biorrefinaria em Balsas (MA) com aporte de R$ 2,5 bilhões. Para 2026, a empresa já planeja outra unidade em Luís Eduardo Magalhães (BA), com investimento de R$ 1,3 bilhão.

Apesar do potencial, a região enfrenta chuvas irregulares e temperaturas mais altas, o que limita a safrinha de milho. Para contornar o desafio, o setor aposta em culturas alternativas como o sorgo, mais resistente à seca, e em fontes diversificadas de biomassa, como cavaco de eucalipto, pinus, bambu, palha, bagaço de cana e até caroço de açaí.

Expansão nacional e internacional

De acordo com o Imea, o Brasil já conta com 24 biorrefinarias em operação, além de 18 em construção e 19 aguardando autorização da ANP. Esse movimento é impulsionado pela elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina — que sobe de 27% para 30% em 2025 — e pelo avanço no uso do biocombustível em combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e transporte marítimo.

Vantagens competitivas do Brasil

A indústria brasileira de etanol tem diferenciais que fortalecem sua posição no mercado global:

  • Menor pegada de carbono: as usinas nacionais usam biomassa de reflorestamento para gerar energia, enquanto nos Estados Unidos predomina o gás fóssil.
  • Clima tropical favorável: permite duas ou mais safras por ano na mesma área, sem necessidade de avanço sobre florestas.
  • Integração milho-soja: melhora a qualidade do solo e reduz o uso de fertilizantes, que são grandes emissores de gases de efeito estufa.

Com esses fatores, o Brasil reforça seu protagonismo na bioenergia e amplia sua presença em um setor considerado chave para a transição energética global.

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