25/01/2026

Etanol de milho cresce acelerado e pode pressionar mercado de açúcar, aponta Rabobank

Etanol de milho cresce acelerado e pode pressionar mercado de açúcar, aponta Rabobank

Da redação com informações do AGFeed

A produção de etanol de milho no Brasil avança em ritmo acelerado e já começa a redesenhar o cenário do setor sucroenergético. Segundo estimativas da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), o volume produzido deve se aproximar de 10 bilhões de litros ao fim da safra 2025/26. Para a safra 2033/34, a projeção é de mais de 16,5 bilhões de litros.

No entanto, esse patamar pode ser alcançado antes do previsto. De acordo com relatório do Rabobank, os investimentos em novas usinas em andamento podem elevar a capacidade produtiva brasileira para cerca de 16 bilhões de litros já em 2028. Algumas estimativas indicam que o país pode chegar a até 20 bilhões de litros até 2030.

O analista Andy Duff, da RaboResearch América Latina, destaca que essa expansão não se limita ao milho, mas inclui também etanol produzido a partir de sorgo e trigo. Atualmente, o setor opera em dois modelos principais: usinas independentes (stand-alone) e plantas de etanol de milho anexas a usinas de cana-de-açúcar, conhecidas como flex.

Apesar de a cana ainda responder por cerca de dois terços da produção nacional de etanol, o avanço rápido do milho acende um alerta. Com maior oferta de etanol no mercado e crescimento da demanda em ritmo mais lento, há pressão sobre preços e margens, o que pode levar usinas a direcionarem mais produção para o açúcar.

Essa alternativa, porém, também é limitada. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores globais da commodity, e um aumento excessivo da oferta pode pressionar os preços internacionais do açúcar.

Entre as vantagens do etanol de milho estão a maior disponibilidade de matéria-prima ao longo do ano, a possibilidade de instalar usinas próximas às áreas produtoras, redução de custos logísticos e melhor aproveitamento dos ativos industriais. Diferente da cana, o milho permite operação contínua, maior capacidade de armazenamento e menor custo de capital.

O Rabobank estima que o excesso de oferta pode reduzir a paridade de preços do etanol nas bombas, especialmente em São Paulo, para cerca de 63%, abaixo da média histórica de 68%. Medidas como o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, hoje em 30%, com expectativa de chegar a 35%, podem ajudar a equilibrar o mercado. Há ainda perspectivas de uso do biocombustível na aviação e no transporte marítimo a partir da próxima década.

Segundo o banco, a Reforma Tributária também pode favorecer o etanol ao reduzir distorções de preços entre os estados. Ainda assim, o ritmo acelerado de expansão da capacidade produtiva mantém o sinal de alerta para o mercado de açúcar, já que qualquer mudança relevante no etanol brasileiro impacta diretamente os preços globais da commodity.

Foto: Divulgação

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