01/11/2025

EUA e China retomam acordo de soja, reacendendo pressão sobre o Brasil no curto prazo

EUA e China retomam acordo de soja, reacendendo pressão sobre o Brasil no curto prazo

Da redação com informações do AGFeed

O acordo anunciado pelos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, para retomar as compras de soja norte-americana pelos chineses trouxe imediata reação ao mercado da oleaginosa e pressão sobre o Brasil. Analistas avaliam que a medida tende a normalizar o fluxo global de comércio, mas provocará queda nos prêmios e nos preços pagos ao produtor brasileiro no curto prazo.

Segundo o anúncio, a China comprará 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos ainda neste ano e outras 25 milhões de toneladas ao longo dos próximos três anos. A notícia derrubou os prêmios pagos pela soja brasileira em cerca de 60 centavos de dólar por bushel, recuo superior a 30% nas últimas semanas.

“Com a expectativa do acordo, o mercado travou e os produtores ficaram receosos com novas quedas, o que acabou aquecendo as vendas nesta quinta-feira”, explicou Adriano Lo Turco, analista da Agroconsult. Ele destaca que os efeitos da retomada comercial ainda serão sentidos nos próximos dias, até que o acordo seja formalizado por ambos os países.

Pressão dupla sobre o Brasil

Com a safra brasileira avançando — especialmente no Paraná e em Mato Grosso —, o país deve ter grande volume disponível a partir de janeiro, o que tende a acentuar a pressão sobre os preços internos. Lo Turco lembra que, apesar do impacto, a capacidade de armazenamento na China ainda é uma incógnita. “A Agroconsult projetava compras máximas de 9 milhões de toneladas neste período; o volume anunciado de 12 milhões pode enfrentar limitações logísticas”, observa.

Volta à normalidade

Para Raphael Bulascoschi, analista de mercado da StoneX, o acordo representa apenas a normalização do fluxo histórico de comércio. “Durante a guerra comercial, o Brasil se beneficiou de um cenário atípico. Agora o mundo volta ao equilíbrio, mas seguimos como principais fornecedores dos chineses”, avaliou.

Mesmo com a retomada das compras dos EUA, o Brasil deve manter posição de liderança, especialmente se a demanda chinesa continuar forte. Além disso, fatores internos podem sustentar parte da demanda local — como o aumento da mistura do biodiesel de 15% para 16% previsto para março de 2026, o que deve gerar consumo adicional de até 2 milhões de toneladas de soja.

Perspectivas de longo prazo

A analista sênior de grãos e oleaginosas do Rabobank, Marcela Marini, acredita que os impactos para o Brasil se concentram no curto prazo, com menor apetite chinês até o início da safra 2025/2026. “O potencial brasileiro continua superior: os Estados Unidos devem colher 117 milhões de toneladas, enquanto o Brasil pode alcançar 177 milhões”, destacou.

Ela ressalta que o novo equilíbrio pode até favorecer a soja brasileira no médio prazo, já que a recomposição dos estoques norte-americanos tende a sustentar os preços em Chicago e abrir espaço para o produto nacional.

Setor industrial vê cenário estável

Na avaliação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o acordo representa apenas a recomposição do comércio global, sem grandes impactos para o Brasil. “Os volumes previstos refletem a média das compras chinesas após a guerra comercial de 2018. É um retorno à normalidade”, informou o presidente-executivo da entidade, André Nassar.

Nos Estados Unidos, a Associação Americana de Soja (ASA) celebrou o anúncio, classificando-o como “um passo importante para restabelecer uma relação comercial estável e duradoura”. Segundo a ASA, a China historicamente compra entre 25 e 30 milhões de toneladas de soja por ano, e o novo compromisso estabelece um patamar mínimo para os próximos ciclos de exportação.

 

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