29/06/2025

Ferramenta global de medição de carbono será adaptada ao clima tropical brasileiro

Ferramenta global de medição de carbono será adaptada ao clima tropical brasileiro

Da redação com informações do Compre Rural

Um novo acordo entre a Embrapa e a empresa norte-americana Regrow Agriculture, Inc. promete ampliar o uso de uma poderosa ferramenta de modelagem ambiental no Brasil. O modelo computacional DNDC (DeNitrification-DeComposition), já amplamente utilizado em países de clima temperado, será adaptado para as condições brasileiras — um passo importante para a agricultura sustentável no país tropical.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26/6), durante o Simpósio Latino-Americano e Caribenho de Pesquisa de Carbono do Solo (LAC Soil Carbon 2025), realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O documento de cooperação foi assinado pelo diretor de Estratégia da Regrow, William Sallas, e pela chefe-geral da Embrapa Agrobiologia (RJ), Cristhiane Amancio, que representou a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

O que é o DNDC?

O DNDC é um modelo computacional que simula processos naturais no solo, como decomposição da matéria orgânica, emissão de gases de efeito estufa (como óxido nitroso, metano e dióxido de carbono) e a ciclagem de nutrientes, entre outros. Ele permite que pesquisadores e produtores avaliem o impacto ambiental de diferentes práticas agrícolas e tomem decisões mais sustentáveis.

Segundo Pedro Machado, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (GO), essa tecnologia oferece um ganho importante: "O DNDC nos permite entender como diferentes práticas de manejo afetam o solo e o meio ambiente, o que contribui para a redução de emissões e melhora da qualidade dos sistemas produtivos."

Por que adaptar ao Brasil?

Até agora, os dados do DNDC estavam voltados para regiões de clima temperado, como os Estados Unidos e a Europa. A cooperação firmada vai calibrar e validar o modelo com base nas condições edafoclimáticas (relativas ao solo e clima) brasileiras, o que vai ampliar seu uso em sistemas tropicais de produção agropecuária.

Participam do projeto 11 unidades da Embrapa, localizadas em diferentes biomas, como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Pampas. Entre elas, estão as unidades de Arroz e Feijão, Agrobiologia, Algodão, Gado de Corte, Trigo e Pecuária Sudeste, entre outras.

Benefícios esperados

Com a adaptação tropical, o DNDC poderá oferecer:

  • Mensuração precisa de emissões de gases em áreas agrícolas e florestais.
  • Análise do impacto de práticas de manejo, como adubação, irrigação e rotação de culturas.
  • Redução de custos com experimentos de campo e laboratório.
  • Suporte técnico à tomada de decisão para produtores e formuladores de políticas públicas.
  • Flexibilidade de aplicação em diversos tipos de solo e ecossistemas.

A expectativa é que a ferramenta se torne um suporte estratégico para agricultores, pesquisadores e gestores ambientais, permitindo um olhar mais profundo sobre o solo e sua capacidade de sequestrar carbono, contribuindo diretamente com metas de sustentabilidade e redução das mudanças climáticas.

Os recursos financeiros da iniciativa serão geridos pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário Edmundo Gastal (Fapeg).

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