27/05/2025

Gigante do etanol investe R$ 1,26 bilhão em usina no RS e impulsiona maior contrato da Kepler em cin

Gigante do etanol investe R$ 1,26 bilhão em usina no RS e impulsiona maior contrato da Kepler em cinco anos

Da redação com informações do Canal Rural

A Be8, uma das maiores produtoras de biocombustíveis do país, está investindo R$ 1,26 bilhão na construção de uma nova usina de etanol em Passo Fundo (RS), com previsão de início das operações no segundo semestre de 2026. O empreendimento, que contará com financiamento de R$ 729,7 milhões do BNDES, será a primeira unidade de produção de etanol de cereais em escala industrial do Rio Grande do Sul.

Com capacidade para processar 525 mil toneladas de cereais por ano, a planta produzirá anualmente cerca de 220 milhões de litros de etanol e 155 mil toneladas de farelo destinado à alimentação animal. A expectativa da empresa é atender entre 23% e 24% da demanda obrigatória de etanol anidro no estado — que atualmente importa 100% do produto consumido localmente.

A Kepler Weber, referência em armazenagem de grãos, será responsável pelo fornecimento de oito silos com capacidade total de 160 mil toneladas, em um contrato que representa o maior da companhia nos últimos cinco anos. Para a Kepler, que registrou queda de 51% no lucro líquido no primeiro trimestre de 2025, o projeto surge em um momento estratégico e deve impulsionar o faturamento da empresa no segundo semestre.

Além do etanol e do farelo, a nova usina também abrigará a primeira linha de produção industrial de glúten vital do Brasil — um concentrado proteico extraído da farinha de cereais e usado pelas indústrias de alimentos, nutrição animal e cosméticos.

Segundo o vice-presidente de operações da Be8, Leandro Luiz Zat, o trigo foi escolhido como matéria-prima principal devido às limitações climáticas do RS para o cultivo de cana-de-açúcar. O estado conta com cerca de 1,3 milhão de hectares cultivados com cereais de inverno — área que costuma ficar ociosa entre as safras de soja e milho. A planta também poderá processar outras culturas, como triticale, sorgo, milho, cevada e aveia, com um terço da capacidade destinada a essas alternativas.

“A usina oferece uma oportunidade importante para o produtor local, permitindo a comercialização de cereais em um período historicamente ocioso”, destacou Zat. Segundo ele, o trigo exige maior capacidade de estocagem, pois sua comercialização é mais concentrada que a da soja. “Se não estocarmos, corremos o risco de o trigo ser exportado e não aproveitado aqui”, explicou.

Para a Be8, o projeto representa um passo estratégico rumo à diversificação da atuação da empresa, que encerrou 2024 com receita líquida de R$ 7,3 bilhões e Ebitda recorde de R$ 599,3 milhões. Conhecida pela liderança no mercado de biodiesel, onde detém 14% de participação nacional, a empresa aposta agora no etanol de cereais como novo pilar de crescimento.

A parceria entre Be8 e Kepler não é inédita: em 2007, a fornecedora já havia participado da construção da primeira planta da empresa em Passo Fundo. Segundo o CEO da Kepler, Bernardo Nogueira, a companhia está envolvida em sete disputas no setor de biocombustíveis e acompanha de perto um mercado que conta hoje com 25 biorrefinarias em operação no Brasil, além de 30 novos projetos em andamento, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

Com esse investimento robusto, a Be8 busca consolidar sua posição como referência também na produção de etanol no Sul do país, aproveitando uma janela estratégica de mercado e contribuindo para o avanço da bioenergia brasileira.

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