Girassol Agrícola mira expansão em grãos e florestas com novo CEO e governança reforçada
Girassol Agrícola mira expansão em grãos e florestas com novo CEO e governança reforçada
Da redação com informações do AGFeed
Com sede em Rondonópolis (MT), a Girassol Agrícola, uma das maiores sementeiras do país, projeta faturar R$ 1,1 bilhão em 2025. A retomada vem após um ciclo desafiador em 2024, quando os efeitos climáticos derrubaram a produtividade e o faturamento ficou em R$ 750 milhões. A recuperação acontece sob nova liderança: o executivo Gilmar Meneghini assumiu o comando da empresa no fim do ano passado, trazendo uma gestão mais profissionalizada e voltada à governança.
Apesar de não ter trajetória anterior em empresas do agronegócio, Meneghini tem sólida experiência em negócios familiares e finanças — já passou por empresas como DPaschoal, fundos de investimento como a Advent e comandou a concessionária Rota do Oeste, responsável pela BR-163. Segundo ele, um dos principais motivos para sua escolha foi justamente a capacidade de fortalecer a governança corporativa da Girassol sem perder o vínculo com a origem familiar da empresa.
O fundador Gilberto Goellner, ex-senador e nome histórico do setor, segue como presidente do conselho de administração. A antiga CEO, Neusa Lopes, também passou a integrar o conselho, enquanto os demais familiares acompanham os rumos do negócio sem cargos executivos.
Crescimento com responsabilidade
Atualmente, a Girassol cultiva cerca de 70 mil hectares, sendo 39 mil destinados à soja. Para a safra 2025/2026, o objetivo é crescer para até 80 mil hectares, com a análise de novas áreas para arrendamento. Segundo Meneghini, o momento oferece oportunidades estratégicas, já que muitos contratos firmados no pico das commodities (2022–2023) se tornaram inviáveis, gerando boas ofertas de áreas.
Ainda assim, o CEO reforça que a expansão será cautelosa, devido aos juros elevados e à necessidade de investimentos consistentes. "A agricultura precisa de capital e planejamento. Estamos analisando tudo com atenção para garantir sustentabilidade no crescimento", afirma.
Aposta em inovação e diferenciais
A Girassol é líder em sementes de algodão e busca ampliar participação na soja, com base em qualidade e tecnologia. Foram investidos R$ 100 milhões em duas novas indústrias de beneficiamento de sementes, que elevam a capacidade para mais de 1,5 milhão de sacas de 40 kg por ano.
Entre os diferenciais estão o vigor das sementes acima de 95%, o exclusivo “Bag ATI” — que preserva a qualidade da semente durante o transporte — e um sistema de rastreamento que permite ao produtor monitorar a entrega via aplicativo.
Além disso, a empresa se diferencia por cultivar 100% das sementes em áreas próprias, ao contrário de concorrentes que terceirizam o cultivo. Para 2025, mais R$ 100 milhões em investimentos estão previstos.
Estratégia financeira com foco em eficiência
Meneghini afirma que a empresa está estudando novas formas de financiamento, diante do cenário de juros altos. Embora a emissão anterior de CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) de R$ 183 milhões tenha sido positiva, a Girassol avalia alternativas como crédito em dólar com hedge e uso de capital próprio. Um novo CRA não está descartado, mas com estrutura e valores diferentes, voltados a 2026.
A companhia conta com SAP desde 2018 e auditoria de Big Four há mais de quatro anos, o que facilita o acesso ao mercado financeiro. Atualmente, 20 grandes cotistas compõem a carteira de investidores da empresa.
Florestas como legado e oportunidade
Outra frente em expansão é o plantio de eucalipto. A empresa já soma 20 mil hectares cultivados e avança cerca de 3 mil hectares por ano. O objetivo é atender a crescente demanda por biomassa e posicionar a região do Alto Araguaia como polo de produção de celulose.
Segundo o CEO, há conversas avançadas com investidores internacionais para implantação de uma indústria no local. O projeto é tratado com cautela devido à complexidade e à necessidade de uma cadeia produtiva robusta que sustente o negócio por décadas.
“Esse é o legado do seu Gilberto. Ele enxergou essa oportunidade 20 anos atrás. Hoje, com a demanda das usinas de etanol, é fácil ver o potencial do projeto”, comenta Meneghini.