Grupo Potencial aposta no etanol de milho e mira faturar R$ 20 bilhões até 2030
Grupo Potencial aposta no etanol de milho e mira faturar R$ 20 bilhões até 2030
Da redação com informações do The AgriBiz
De um pequeno posto de combustível à beira da estrada para um dos maiores grupos de energia renovável do Sul do Brasil. Essa é a trajetória do Grupo Potencial, empresa familiar que nasceu em 1954, na colônia de Mariental, em Lapa (PR), e hoje mira alcançar R$ 20 bilhões em faturamento até 2030.
A companhia, que iniciou suas atividades no varejo de combustíveis fósseis, se transformou em distribuidora nacional e, desde 2012, também atua no segmento de biodiesel. Agora, prepara o próximo passo: a produção de etanol de milho.
Nova biorrefinaria em Lapa
Com investimento de R$ 2 bilhões, o grupo vai construir uma biorrefinaria de etanol de milho junto ao atual complexo industrial de biodiesel em Lapa, na região metropolitana de Curitiba. A unidade, prevista para iniciar operação em 2028, vai processar 3 mil toneladas de milho por dia e produzir até 450 milhões de litros de etanol por ano, além de subprodutos como DDG (para ração animal) e óleo vegetal (matéria-prima do biodiesel).
A estrutura contará ainda com dois silos de 150 mil toneladas cada, sistemas próprios de geração de biogás e energia elétrica e uma caldeira fluidizada inédita no país, capaz de alternar o uso de biomassa e biogás conforme a demanda.
“Nosso objetivo é diversificar ao máximo a produção de energia renovável, aproveitando integralmente cada insumo”, explica Carlos Eduardo Hammerschmidt, o Dudu, vice-presidente de Novos Negócios, Investimentos e Relações Institucionais do grupo e terceira geração da família.
Expansão com capital próprio
Com a nova planta, o histórico de investimentos do complexo industrial chegará a R$ 6 bilhões. Mesmo com a meta ambiciosa de quase dobrar a receita até 2030 — de R$ 12 bilhões em 2024 para R$ 20 bilhões —, a empresa mantém o foco em crescer com capital próprio, evitando altos níveis de endividamento.
“Nosso lema é avançar com os pés no chão. Temos conseguido investir com geração de caixa e pequenos empréstimos”, afirma Dudu.
Estratégia sustentável e logística eficiente
A operação vai seguir um conceito “zero resíduo”, em que nada se perde. O milho será aproveitado integralmente: parte vira etanol, parte vira farelo e óleo. O grupo também planeja vender CO₂ alimentício, produzir glicerina refinada — com potencial para tornar o Brasil o segundo maior produtor mundial — e reutilizar toda a água industrial em processos de biogás.
Outro diferencial será a distribuição via dutos, conectando o parque industrial a distribuidoras locais em um trajeto de 55 quilômetros. A estratégia reduzirá emissões de CO₂, custos logísticos e riscos de acidentes.
De posto de estrada a conglomerado nacional
O Grupo Potencial mantém 150 postos nas regiões Sul e Sudeste e atende mais de 2 mil clientes nos setores de agro, indústria e transporte. O conglomerado é formado pelas empresas Potencial Petróleo, Potencial Biodiesel, BWT Logística e BWI Trading, entre outras.
A transição para o etanol de milho reforça o DNA inovador da companhia e acompanha a transformação da matriz de biocombustíveis no Brasil. “Uma tonelada de milho gera cinco vezes mais etanol do que uma tonelada de cana, e o valor agregado dos subprodutos é maior. Essa mudança será rápida”, avalia Dudu.
Com visão de longo prazo e estratégia sólida, o Grupo Potencial aposta no avanço do etanol de milho para consolidar sua posição entre os maiores grupos energéticos do país — unindo tradição, inovação e sustentabilidade.