06/03/2025

Guerra comercial torna grãos brasileiros mais baratos que os dos EUA para a China

Guerra comercial torna grãos brasileiros mais baratos que os dos EUA para a China

Da redação com informações do AgrofyNews

A escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China abriu novas oportunidades para o agronegócio brasileiro. Com a imposição de tarifas adicionais pelo governo americano sobre produtos chineses, Pequim reagiu com sanções a importações agropecuárias dos EUA, redirecionando a demanda chinesa para fornecedores da América do Sul.

As novas tarifas incluem um acréscimo de 15% sobre as importações de milho, trigo, algodão e frango dos Estados Unidos. Já a soja, sorgo e as carnes suína e bovina sofrerão um aumento tarifário de 10%.

Essa medida torna os grãos brasileiros mais competitivos. Atualmente, a tonelada de soja nos EUA custa US$ 361,28, enquanto no Brasil o preço está em US$ 381,67. Com a tarifa chinesa, o valor da soja americana sobe para US$ 397,41, tornando a produção brasileira mais vantajosa para os importadores asiáticos.

O mesmo acontece com o milho. Nos EUA, a tonelada custa US$ 173,32, enquanto no Brasil sai por US$ 162,00. Com a nova tarifa de 15%, o milho americano chega a US$ 199,32 por tonelada, fortalecendo ainda mais a posição dos exportadores brasileiros.

China amplia compras do Brasil

A relação entre Brasil e China no setor agropecuário já é consolidada, e a nova rodada de sanções reforça essa parceria. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, tarifas semelhantes levaram a um aumento médio de 148% nos prêmios pagos pela soja brasileira nos portos nacionais, especialmente em 2018 e 2019.

Agora, especialistas preveem um movimento semelhante. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmam que o Brasil está preparado para atender à crescente demanda chinesa.

Riscos e desafios para o Brasil

Apesar das oportunidades, há desafios no horizonte. A dependência chinesa dos grãos brasileiros pode levar a retaliações dos EUA, que já investigam importações brasileiras de produtos como madeira e móveis sob alegação de ameaças à segurança nacional.

Além disso, a instabilidade dos mercados internacionais pode gerar oscilações nos preços e custos logísticos. Outro fator de risco é a possibilidade de Pequim restringir negócios com tradings americanas que operam no Brasil, o que poderia impactar a logística de exportação.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que o Brasil diversifique seus mercados para reduzir a dependência da China. "Precisamos ampliar acordos comerciais e fortalecer nossa infraestrutura logística para garantir maior previsibilidade ao setor", destaca Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).

Com a guerra comercial em curso, o Brasil se posiciona como um dos principais fornecedores de grãos para a China, mas precisará estar atento aos desdobramentos desse embate global.

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