MBRF estreia na Bolsa e encerra meses de impasse da fusão entre Marfrig e BRF
MBRF estreia na Bolsa e encerra meses de impasse da fusão entre Marfrig e BRF
Da redação com informações do AGFeed
A partir desta terça-feira, 23 de setembro, o mercado financeiro acompanha a estreia de um novo ticker na B3: o MBRF3. O código representa a continuidade das ações da Marfrig, mas simboliza também o nascimento de uma nova gigante do setor de proteína animal, resultado da fusão entre Marfrig e BRF — processo iniciado em maio deste ano.
Com receitas combinadas de R$ 151 bilhões, a companhia passa a ser uma das maiores do mundo no segmento de carnes e alimentos processados.
Relação de troca e encerramento das ações da BRF
Na prática, a fusão encerrou a negociação dos papéis da BRF na Bolsa nesta segunda-feira, 22. Os acionistas da antiga dona da Sadia e Perdigão receberam 0,8521 ação da Marfrig para cada papel da BRF.
A MBRF também confirmou a emissão de 602,79 milhões de novas ações, entregues aos investidores da BRF. Para quem optou por não seguir no novo grupo, foi pago R$ 19,89 por papel, valor que se mostrou financeiramente atrativo frente às oscilações recentes.
Resistência de minoritários e disputas no Cade
O processo não foi simples. Desde o anúncio da fusão, em 15 de maio, investidores minoritários questionaram a relação de troca, considerada desfavorável no início. Fundos como Latache e nomes individuais, além da própria Previ, acionaram a CVM, que chegou a adiar assembleias para garantir mais transparência.
Paralelamente, a concorrente Minerva entrou no Cade contestando a operação, alegando concentração em nichos como hambúrgueres e food service, além de preocupações com o poder de compra da nova companhia frente a fornecedores.
Outro ponto de debate foi a participação do fundo soberano da Arábia Saudita (Salic), acionista relevante tanto da Minerva quanto da BRF. Após ajustes contratuais, o Cade aprovou a fusão de forma definitiva em setembro, com a condição de que o Salic não exercesse direitos políticos na MBRF.
Impactos financeiros e projeções
Apesar da expectativa de ganhos de escala, os analistas projetam desafios financeiros para a MBRF. Relatório do Santander prevê que a companhia deve encerrar 2025 com prejuízo de R$ 2,3 bilhões e uma dívida estimada em R$ 42,8 bilhões.
Segundo o banco, a pressão vem da alavancagem necessária para consolidar a operação, somada a riscos como o ciclo mais longo do gado nos EUA, alta nos custos da arroba no Brasil e valorização do real.
Por outro lado, a expansão em alimentos processados, carnes premium e uma eventual depreciação cambial podem favorecer a companhia no médio prazo. O preço-alvo definido pelo banco é de R$ 20 por ação até o fim de 2025, com recomendação neutra.
O início de uma nova fase
Com o fim da chamada “novela da fusão”, a MBRF inicia sua trajetória na Bolsa carregando tanto as expectativas de sinergias quanto o peso de dívidas bilionárias. Para o mercado, o desempenho dos próximos trimestres será determinante para avaliar se a união entre Marfrig e BRF trará os ganhos prometidos ou se os desafios prevalecerão.