18/05/2025

Mercado da soja reage a dados do USDA, acordo EUA-China e incertezas no óleo vegetal

Mercado da soja reage a dados do USDA, acordo EUA-China e incertezas no óleo vegetal

Da redação com informações do Canal Rural

O mercado brasileiro da soja passou por uma semana movimentada, impulsionado por três fatores principais: os primeiros números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada 2025/26, o novo acordo comercial entre China e Estados Unidos e as incertezas envolvendo o mercado do óleo de soja.

Safra 2025/26 dos EUA e impacto global

Segundo a consultoria Safras & Mercado, o USDA estimou a safra norte-americana de soja em 4,340 bilhões de bushels (cerca de 118,11 milhões de toneladas) com produtividade de 52,5 bushels por acre, levemente abaixo do esperado. Os estoques finais devem ser de 295 milhões de bushels (8,03 milhões de toneladas), abaixo das previsões do mercado. O esmagamento foi projetado em 2,490 bilhões de bushels e as exportações em 1,815 bilhão.

Para 2024/25, os estoques de passagem também foram reduzidos para 350 milhões de bushels. O USDA espera exportações de 1,850 bilhão e esmagamento de 2,420 bilhões de bushels.

A projeção global é de uma safra de 426,82 milhões de toneladas em 2025/26, contra 420,87 milhões em 2024/25. A produção brasileira foi mantida em 175 milhões de toneladas, enquanto a Argentina deve produzir 48,5 milhões. As importações da China são estimadas em 112 milhões de toneladas para 2025/26.

EUA e China reduzem tarifas e animam o mercado

Outro destaque da semana foi o acordo de 90 dias entre China e Estados Unidos para redução de tarifas comerciais. Os EUA diminuíram tarifas de 145% para 30%, enquanto a China reduziu de 125% para 10%. O reflexo foi imediato na Bolsa de Chicago, com a soja alcançando os melhores preços em 10 meses.

O analista Gabriel Viana, da Safras & Mercado, destacou que esse movimento pode incentivar os produtores norte-americanos a ampliarem a área plantada em 2025. Contudo, o Brasil pode ser impactado com a redução da demanda chinesa no segundo semestre, o que pressionaria os prêmios do farelo e óleo de soja.

"Ainda somos competitivos nas exportações, e a parceria China-EUA está em construção. A tendência só ficará mais clara entre agosto e setembro, com o avanço da colheita nos EUA", analisa Viana.

Volatilidade no óleo de soja

Os contratos do óleo de soja oscilaram ao longo da semana. Após altas expressivas, os preços caíram na quinta-feira (16), puxados pela indefinição nas metas de combustíveis renováveis (RVO) nos EUA. Havia expectativa de atualização ainda em 2025, mas declarações do senador Lee Zeldin indicam que a definição pode ser adiada para 2026.

Caso o projeto seja aprovado e o RVO atualizado em 2025, pode haver escassez global de óleos vegetais, como soja, milho e canola, devido à ampliação dos créditos de produção até 2031. Isso influenciará diretamente a dinâmica de preços no mercado internacional.

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