15/02/2025

Mercado de Fertilizantes: Oferta Restrita Impulsiona Preços em Dólar

Mercado de Fertilizantes: Oferta Restrita Impulsiona Preços em Dólar

Da redação com informações do AG Feed

A dependência do Brasil na importação de fertilizantes segue impactando diretamente os custos da produção agrícola. Com 85% dos insumos nitrogenados, fosfatados e potássicos (NPK) vindos do exterior, oscilações na oferta global rapidamente refletem no mercado interno.

Neste início de 2025, a alta dos fertilizantes nitrogenados tem chamado atenção. Segundo um relatório do Itaú BBA, o preço da ureia, essencial para a lavoura de milho, subiu 14,5% nos portos brasileiros em janeiro. A escassez da produção iraniana, afetada por restrições na matéria-prima e custos crescentes de gás natural, impulsionou esse aumento.

A crescente demanda também contribui para a elevação dos preços. Leilões agressivos na Índia para garantir suprimentos e o início do período de compras nos EUA e Europa pressionam o mercado. Nos Estados Unidos, há uma tendência de maior interesse pelo milho em relação à soja, o que pode aumentar ainda mais o consumo de ureia.

Outros fatores também pesam na oferta. O Egito enfrenta limitações no fornecimento de gás natural, essencial para a produção de amônia e nitrogenados. Já a China, priorizando o abastecimento interno, reduziu exportações, impactando o mercado global.

Impacto nos Preços

Com isso, o preço da ureia nos portos brasileiros subiu de US$ 331 para US$ 425 por tonelada entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, um aumento de 28%. No mercado interno, o valor saltou de R$ 2,4 mil para R$ 3,25 mil por tonelada em Rondonópolis-MT, representando uma alta de 35%.

Apesar disso, a relação de troca do milho com a ureia segue estável em comparação ao ano passado: 30 sacas do cereal ainda compram uma tonelada do adubo.

Fósforo e Potássio com Oscilação Menor

O cloreto de potássio (KCL), outro nutriente essencial, teve aumento mais modesto, de 3,3% em janeiro, alcançando US$ 305 por tonelada. No entanto, a relação de troca da soja com o KCL piorou ligeiramente em relação ao ano passado. Atualmente, são necessárias 14 sacas de soja para adquirir uma tonelada do fertilizante, contra 10 sacas no mesmo período de 2024.

A crescente demanda por potássio a partir de novembro tem puxado os preços para cima. O mercado também monitora possíveis tarifas de 25% que o governo dos EUA pode impor ao Canadá, maior fornecedor global desse insumo. Caso essa medida seja implementada, pode haver uma reconfiguração na oferta mundial, impactando diretamente os custos para o Brasil.

No segmento dos fosfatados, o MAP, um dos fertilizantes mais utilizados, registrou uma relação de troca menos favorável para a soja, mas benéfica para culturas como o café, que segue em alta. Embora o preço do MAP em dólar esteja estável, a valorização do real frente ao dólar tem ajudado a aliviar parte dos custos aos produtores.

Com tantas variáveis em jogo, o mercado de fertilizantes segue volátil, e os produtores brasileiros precisam estar atentos às dinâmicas globais para planejar suas compras estrategicamente.

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