05/03/2025

Milho pode superar soja como principal cultura do Brasil, aponta JP Morgan

Milho pode superar soja como principal cultura do Brasil, aponta JP Morgan

Da redação com informações do TheAgriBiz

O crescimento da produção de etanol de milho no Brasil pode transformar o setor agrícola nos próximos anos. De acordo com um relatório do JP Morgan, a demanda crescente pelo grão para fabricação de biocombustíveis pode fazer com que o milho ultrapasse a soja como a cultura dominante no país até 2030.

Expansão do etanol de milho

Com 29 novas usinas autorizadas pela Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis (ANP), o Brasil pode mais que dobrar sua capacidade de produção de etanol de milho nos próximos dois anos. Caso todas as usinas entrem em operação, haverá um acréscimo de 11,2 bilhões de litros na produção anual, elevando a demanda pelo grão em 27 milhões de toneladas.

Mesmo em um cenário mais conservador, o JP Morgan projeta um aumento de 7 bilhões de litros na produção, demandando 17 milhões de toneladas de milho. Com isso, o etanol de milho passaria a representar 37% do total de etanol produzido no país.

A estimativa do banco também prevê que, entre 2025 e 2031, haverá um excedente de 3,1 bilhões de litros de etanol, o que pode pressionar os preços do biocombustível.

Milho como protagonista

O relatório destaca que a produtividade do milho no Brasil tem espaço para crescimento. Enquanto nos Estados Unidos a média de produção é de 12 toneladas por hectare, no Brasil o rendimento médio é de 6 toneladas. Com melhorias, o potencial produtivo brasileiro pode chegar a 9 toneladas por hectare.

Além disso, a área plantada pode ser ampliada. Atualmente, 22 milhões de hectares são utilizados para o cultivo do milho, enquanto a soja ocupa 47 milhões de hectares. Se apenas metade dessa área de soja for integrada ao sistema de rotação de culturas, o Brasil poderia aumentar sua produção de milho em 90 milhões de toneladas sem necessidade de desmatamento.

Impacto na produção de ração

Com a ampliação do etanol de milho, a produção de DDG (Distillers Dried Grains), um subproduto utilizado na fabricação de ração animal, pode quase dobrar, chegando a 11 milhões de toneladas. Esse crescimento beneficiaria a pecuária, principalmente confinamentos de gado próximos às usinas, favorecendo empresas como Marfrig e Minerva.

Desafios da biomassa

Um dos principais desafios para sustentar esse crescimento será garantir biomassa suficiente para abastecer as usinas. Muitas delas utilizam cavacos de madeira e outras fontes de biomassa para gerar energia. No cenário projetado pelo JP Morgan, a demanda por cavacos pode crescer de 19 milhões para 35 milhões de metros cúbicos, reforçando a necessidade de um suprimento sustentável.

O avanço do etanol de milho pode redefinir a agricultura brasileira, tornando o grão protagonista no cenário agrícola e energético do país.

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