O futuro circular do agro: resíduos viram fertilizantes e aceleram a produtividade no campo
O futuro circular do agro: resíduos viram fertilizantes e aceleram a produtividade no campo
Da redação com informações do AGFeed
O agronegócio brasileiro começa a viver uma transformação silenciosa, mas promissora: o avanço da economia circular no campo. Pesquisadores e empresas de diferentes setores estão convertendo resíduos – antes descartados – em insumos de alto valor, como fertilizantes, corretivos de solo e até produtos que potencializam a fotossíntese.
A lógica é simples: ao invés de enviar toneladas de resíduos para o lixo, transformá-los em soluções sustentáveis e rentáveis. O movimento envolve universidades, startups, grandes indústrias e até siderúrgicas.
Um exemplo vem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O professor Ailton Terezo criou o Nanocarbono 480, fertilizante foliar feito com resíduos como bagaço de acerola e dejetos da suinocultura. A fórmula contém nanopartículas que aceleram a fotossíntese, aumentando a produtividade de culturas como soja, algodão e alface. Os ganhos vão de 15% a até 140% em massa seca, dependendo da planta.
Para escalar o projeto, nasceu a NanoGrow, startup que já testa novos insumos, como carcaças de tilápia para obtenção de nanocarbonos. O desafio é financeiro: manter os testes custa cerca de R$ 700 mil ao ano.
Outro caso inspirador vem da Veracel Celulose, na Bahia. A empresa recicla casca de eucalipto, cinzas e lodo de esgoto para produzir fertilizantes e corretivos que retornam às plantações. Em parceria com a gaúcha Vida, transforma cerca de 2.500 toneladas por mês de resíduos industriais em insumos agrícolas, com fila de espera entre produtores da região.
Na indústria do aço, a multinacional Harsco Environmental encontrou na escória siderúrgica uma solução inovadora. A empresa converte esse resíduo rico em silício, cálcio e magnésio em fertilizantes minerais, que já foram aplicados em mais de 145 mil hectares no Brasil. Os produtos da linha AgroSilício são até 95% menos emissores de carbono que o calcário tradicional.
Com investimentos de R$ 120 milhões e planos de expansão no México, a Harsco reforça que a circularidade também é uma oportunidade global.
Esses exemplos mostram que o futuro do agro passa por integrar ciência, tecnologia e sustentabilidade. O que antes era resíduo hoje é solução. E quem investir nisso desde já, sai na frente.