29/06/2025

O tamanho real do déficit de armazenagem no Brasil

O tamanho real do déficit de armazenagem no Brasil

Da redação com informações do AGFeed

Montanhas de grãos a céu aberto ao lado de armazéns são cenas recorrentes no Brasil rural. E voltam a se multiplicar em épocas de colheita recorde, como agora, com a soja e o milho de segunda safra batendo novos patamares de produção. Mas qual é, de fato, o tamanho do problema da armazenagem no País?

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade estática de armazenagem no Brasil é de cerca de 212 milhões de toneladas. Em 2025, a produção total de grãos deve se aproximar das 365 milhões de toneladas. A conta simples indica um déficit de 153 milhões de toneladas — mas a realidade é mais complexa.

Ao contrário de países como os Estados Unidos, onde a produção se concentra em poucos meses, no Brasil as colheitas ocorrem ao longo de todo o ano. A soja, por exemplo, é colhida entre dezembro e maio; o milho de segunda safra entra no mercado no segundo semestre. Esse escalonamento suaviza a pressão sobre os armazéns ao longo do tempo. Além disso, parte dos grãos é consumida internamente ou exportada conforme a produção avança.

Ou seja, o déficit de armazenagem existe, mas é menos intenso do que parece. O problema é real — só não é tão grande quanto sugerem as comparações diretas entre produção total e capacidade estática.

Mato Grosso como exemplo prático

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, a colheita de soja e milho em 2025 deve ultrapassar 108 milhões de toneladas. Com uma capacidade de armazenagem estática de 44 milhões, o déficit aparente seria de 64 milhões.

Contudo, quando se considera a sazonalidade da produção, o consumo, as exportações e as transferências entre estados, a realidade muda. No pico da soja, entre fevereiro e março, o déficit foi de apenas 3 milhões de toneladas. Já no auge da colheita do milho, previsto para agosto, o déficit pode chegar a 19 milhões — ainda relevante, mas consideravelmente menor do que o número inicial.

Desafios operacionais e alternativas

Mesmo a capacidade estática declarada não está integralmente disponível. Muitos armazéns são privados, com acesso limitado a terceiros, e parte das estruturas não permite o armazenamento de múltiplas culturas ao mesmo tempo. Soma-se a isso a falta de secadores, localização desfavorável e altos custos logísticos.

Diante disso, o uso de silos-bolsa tem crescido. Só em 2024, o Brasil importou o equivalente a 17 milhões de toneladas em capacidade adicional com esse tipo de armazenagem flexível. Ainda assim, os silos-bolsa são soluções temporárias. Outra prática comum é o uso de caminhões como armazéns sobre rodas — uma alternativa que nasce da própria ineficiência logística e aumenta os custos operacionais.

Um cenário que pede investimentos

A deficiência estrutural na armazenagem de grãos continua sendo um gargalo relevante para a competitividade do agronegócio brasileiro. Apesar das soluções paliativas que vêm sendo adotadas, o setor precisa de investimentos consistentes em infraestrutura — sob risco de continuar pagando caro por um problema antigo.

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