Romeu Kiihl: o cientista que fez do Brasil o maior produtor de soja do mundo
Romeu Kiihl: o cientista que fez do Brasil o maior produtor de soja do mundo
Da redação com informações do Compre Rural
O que parecia impossível há seis décadas se transformou na maior história de sucesso da agricultura tropical. Na safra 2024/2025, o Brasil colheu 168,3 milhões de toneladas de soja, consolidando-se como líder mundial na produção e exportação do grão. Essa conquista tem um protagonista: o engenheiro agrônomo Romeu Afonso de Souza Kiihl, conhecido como o “pai da soja tropical”.
O desafio do Cerrado
Nos anos 1960, a soja praticamente não existia no Brasil. O Cerrado era visto como inapropriado para o cultivo, com solos ácidos, clima quente e baixa fertilidade. Enquanto especialistas estrangeiros desacreditavam, Romeu Kiihl enxergava potencial. Seu objetivo era ousado: desenvolver variedades adaptadas às condições tropicais brasileiras.
Trajetória de um visionário
Nascido em Caconde (SP), em 1942, filho de um alfaiate, Romeu formou-se engenheiro agrônomo pela Esalq/USP em 1965. No exterior, concluiu mestrado e doutorado em Melhoramento Vegetal e Agronomia pela Mississippi State University, sob orientação do renomado Edgar Emerson Hartwig.
De volta ao Brasil, atuou no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e foi pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina, por mais de 25 anos.
A ciência que mudou o campo
Seu trabalho no melhoramento genético foi decisivo para a agricultura nacional:
- Desenvolvimento de mais de 150 variedades de soja.
- Ênfase no Cerrado, hoje responsável por mais de 60% da produção nacional.
- Contribuição essencial à fixação biológica de nitrogênio (FBN), tecnologia que reduziu custos e tornou o cultivo mais sustentável.
Essas inovações abriram caminho para o salto produtivo brasileiro, que passou de importador a potência global no setor.
Legado e reconhecimento
O impacto da trajetória de Kiihl rendeu honrarias como Comendador e Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico, além do título de Agrônomo do Ano (2012). Ele também foi citado pela revista Veja entre os “50 brasileiros que mudaram a regra do jogo”.
Atualmente, é diretor científico da Tropical Melhoramento & Genética (TMG), em Londrina, e segue atuando no desenvolvimento de novas variedades. Sua filha, Tammy Aparecida Manabe Kiihl, também seguiu a carreira como engenheira-agrônoma, dando continuidade à história da família.
Da lavoura ao poder global
Hoje, a soja não é apenas um grão, mas um motor econômico: fortalece cooperativas, impulsiona cidades agrícolas, integra sistemas de produção e garante protagonismo ao Brasil no mercado internacional.
Se o país alcançou esse patamar, é porque pioneiros como Romeu Kiihl acreditaram no impossível — e transformaram ciência em futuro.