02/10/2025

São Martinho investe mais de R$ 1 bilhão em etanol de milho e amplia aposta em combustíveis renováve

São Martinho investe mais de R$ 1 bilhão em etanol de milho e amplia aposta em combustíveis renováveis

Da redação com informações do Compre Rural

A São Martinho, uma das maiores produtoras de cana-de-açúcar e etanol do Brasil, anunciou um investimento de R$ 1,1 bilhão na ampliação de sua planta industrial em Goiás, voltada para a produção de etanol de milho. A iniciativa marca a entrada mais robusta da companhia nesse mercado, que já responde por cerca de 20% da produção nacional de etanol, sem abrir mão da tradição canavieira que sustenta a empresa há décadas.

Segundo o CFO da São Martinho, Felipe Vicchiato, o objetivo não é substituir a cana, mas diversificar receitas. “Quando estiver operando em plena capacidade, a planta deverá responder por cerca de 20% da nossa receita”, afirmou em entrevista ao InvestNews.

Expansão em fases

A nova usina terá capacidade de processar 635 mil toneladas de milho por ano, resultando em aproximadamente 270 mil m³ de etanol e subprodutos como DDGS (farelo para nutrição animal) e óleo de milho. O projeto será executado em três etapas, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2027.

Logística e custos

Diferente da cana, que utiliza o bagaço como biomassa, o etanol de milho depende de cavaco de madeira (principalmente eucalipto) para abastecer as caldeiras. Esse fator eleva custos e exige planejamento florestal de longo prazo. Como alternativa, a São Martinho pretende aproveitar o excedente de energia do bagaço de cana, hoje vendido à rede elétrica, para abastecer a nova planta.

Crescimento da demanda

A expansão do setor acompanha a elevação da mistura de etanol na gasolina, que passou de 27% para 30%, ampliando em até 1 bilhão de litros o consumo potencial do biocombustível. Para Vicchiato, há espaço para elevar esse percentual a 35% nos próximos anos, caso os investimentos no etanol de milho continuem avançando.

Além disso, a produção no Centro-Oeste fortalece o abastecimento das regiões Norte e Nordeste, reduzindo a dependência da importação de etanol dos Estados Unidos.

Riscos e equilíbrio de mercado

Especialistas alertam que o crescimento acelerado pode gerar desequilíbrios. Para Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE, o governo precisa reconhecer o etanol de milho como complementar ao de cana, evitando excesso de oferta que prejudique consumidores e produtores.

Sustentabilidade e novos mercados

O investimento em etanol de milho soma-se a outras frentes sustentáveis da São Martinho. Em 2023, a empresa destinou R$ 250 milhões à construção de uma planta de biometano em Américo Brasiliense (SP), que processará 100% da vinhaça da usina Santa Cruz e produzirá cerca de 15 milhões de m³ por safra.

A companhia também avalia ingressar no mercado de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), certificando o etanol para fornecimento às plantas que produzirão esse tipo de combustível.

Modelo híbrido para o futuro

Apesar do avanço no milho, a São Martinho reforça que a cana-de-açúcar seguirá como pilar central de suas operações. O modelo híbrido, combinando cana, milho, biogás e biometano, consolida a empresa como uma das líderes da transição energética no agronegócio brasileiro.

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