Setor agropecuário propõe 20 medidas para conter inflação dos alimentos
Setor agropecuário propõe 20 medidas para conter inflação dos alimentos
Da redação com informações do AgrofyNews
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou ao Governo Federal um conjunto de 20 propostas para frear a inflação dos alimentos e garantir maior previsibilidade ao setor agropecuário. O documento foi encaminhado aos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa, sem a inclusão do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Elaboradas em parceria com entidades do Instituto Pensar Agro (IPA), as sugestões incluem nove ações de curto prazo e 11 de médio e longo prazo. A preocupação central é reduzir o impacto da alta dos alimentos sobre as famílias de baixa renda, que destinam uma parcela significativa do orçamento à alimentação. Segundo o INPC-IBGE, famílias com renda de até dois salários mínimos chegam a gastar mais de 30% de seus rendimentos com alimentação.
A inflação no setor tem sido um tema sensível ao Palácio do Planalto, impactando diretamente a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o IPCA, os preços dos alimentos cresceram acima da inflação geral em 2024, agravando a pressão sobre o governo.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), destacou que, além de medidas emergenciais, o Brasil precisa de reformas estruturais que aumentem a competitividade do setor e garantam maior previsibilidade. Segundo ele, a desvalorização cambial e o crescimento dos gastos públicos encarecem insumos e reduzem o poder de compra da população, agravando o problema.
Propostas do setor agropecuário
A FPA listou nove ações de curto prazo para aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos:
- Revisão da tributação sobre fertilizantes e defensivos agrícolas;
- Inclusão do óleo de soja na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec);
- Redução temporária do PIS/Cofins sobre insumos essenciais, como trigo e óleo vegetal;
- Revisão do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM);
- Redução dos requisitos de garantia real para operações de crédito;
- Reavaliação de impostos sobre embalagens essenciais;
- Desburocratização alfandegária para agilizar a liberação de mercadorias;
- Ampliação do uso do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex);
- Eliminação de barreiras regulatórias que dificultam a comercialização de produtos agropecuários.
Além disso, o setor propôs 11 medidas de médio e longo prazo, incluindo:
- Redução do desperdício de alimentos e revisão de normas de validade;
- Garantia de um Plano Safra sem contingenciamentos;
- Facilidade no acesso ao crédito rural;
- Expansão do seguro rural e do Proagro;
- Financiamento de longo prazo para a Cadeia de Frio;
- Melhoria da infraestrutura logística, incluindo malha ferroviária e rodoviária;
- Aumento da capacidade de armazenagem para minimizar oscilações de preço;
- Aplicação de medidas antidumping apenas em casos de concorrência desleal;
- Maior disponibilidade de farelo de milho e soja para baratear a ração animal;
- Incentivo à produção nacional de fertilizantes e bioinsumos.
A FPA argumenta que a adoção dessas medidas pode reduzir os custos de produção, melhorar a competitividade do setor agropecuário e, consequentemente, contribuir para a estabilização dos preços dos alimentos no Brasil.