06/04/2025

Tarifa chinesa torna soja brasileira ainda mais competitiva no mercado internacional

Tarifa chinesa torna soja brasileira ainda mais competitiva no mercado internacional

Da redação com informações do AGFeed

As exportações brasileiras de soja podem ganhar fôlego no último trimestre de 2025, com possibilidade de um movimento semelhante ao registrado durante a guerra comercial entre Estados Unidos e China em 2018.

O novo cenário surge após a China confirmar uma tarifa de 34% sobre produtos americanos, válida a partir de 10 de abril. Esse percentual se soma aos 10% já aplicados desde março, encarecendo significativamente a soja dos Estados Unidos para compradores chineses.

De acordo com a analista de mercado da AgRural, Daniele Siqueira, uma das principais consultorias do setor agrícola, caso essa tarifa já estivesse em vigor, o custo da soja americana para os chineses seria de aproximadamente US$ 627 por tonelada. Já o produto brasileiro, embarcado no porto de Santos, está cotado em torno de US$ 412 — o que reforça a atratividade da soja nacional.

Embora o impacto não deva ser imediato, a expectativa é de aumento nas exportações do Brasil especialmente entre outubro e janeiro de 2026. Esse período coincide com a entressafra brasileira e a colheita americana, quando os EUA normalmente se destacam nas vendas à China. Com as tarifas em vigor, esse fluxo poderá ser redirecionado.

Apesar das semelhanças com o episódio de 2018, desta vez as medidas foram anunciadas no primeiro semestre, quando o Brasil já é o principal exportador global da oleaginosa. Essa antecipação reduz o efeito surpresa, mas fortalece o protagonismo brasileiro no fornecimento.

O reflexo do anúncio foi sentido nas bolsas de commodities. Em Chicago, a soja recuou quase 35 pontos em diversos vencimentos e o contrato para maio fechou abaixo de US$ 10 por bushel, cotado a US$ 9,77. A queda indica expectativa de excesso de oferta nos Estados Unidos. Enquanto isso, os prêmios de exportação da soja brasileira subiram, impulsionados também pela valorização do dólar.

Ainda assim, Daniele Siqueira ressalta que há limites para o crescimento das exportações brasileiras. O aumento recente nos embarques já reflete uma safra mais robusta, e não apenas o novo cenário internacional. A produção estimada para 2025/2026, segundo a AgRural, é de 166 milhões de toneladas — abaixo de algumas projeções privadas que apontam até 170 milhões.

Antes da imposição das tarifas, a consultoria já previa exportações da ordem de 104 milhões de toneladas. Com a nova conjuntura, esse número pode chegar a 109 milhões, mas crescer além disso dependeria de uma safra ainda maior, já que há forte demanda interna por farelo, óleo e biodiesel.

Em termos de participação no mercado chinês, o Brasil já detinha 71% das importações em 2024. Com a nova taxação sobre os EUA, essa fatia pode aumentar ainda mais, consolidando o país como principal fornecedor da China.

Reflexos no milho e no algodão

Os efeitos no mercado de milho foram mais suaves. Como a China já vinha reduzindo suas compras do cereal, não se espera um impacto expressivo nas exportações dos EUA. Ainda assim, há potencial para o Brasil conquistar novos compradores, como a União Europeia, que também está sendo afetada por tarifas. No entanto, o principal concorrente do milho brasileiro continua sendo o mercado interno, com alta demanda para ração animal e produção de etanol.

Já no mercado de algodão, a perspectiva é de melhora para o produtor brasileiro. Mesmo com a queda das cotações em Nova York, o prêmio sobre o produto nacional pode subir, corrigindo os preços e favorecendo as exportações. O Brasil, que recentemente superou os Estados Unidos como principal fornecedor global, pode se beneficiar desse movimento.

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