USDA impulsiona cotações com surpresas nos dados de trigo, soja e milho
USDA impulsiona cotações com surpresas nos dados de trigo, soja e milho
Da redação com informações do AgrofyNews
O mercado de grãos em Chicago registrou forte reação nesta segunda-feira (1º) após a divulgação dos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre intenção de plantio e estoques trimestrais. Os dados surpreenderam ao apontar uma área menor de trigo e soja, além de uma queda nos estoques de milho, influenciando diretamente as cotações.
Trigo
No segmento de trigo, as cotações saíram de uma tendência de queda moderada para uma alta significativa, impulsionadas pela projeção de uma área plantada menor que o esperado nos Estados Unidos. O USDA estimou o plantio do cereal em 2025 em aproximadamente 18,4 milhões de hectares (45,4 milhões de acres), representando uma queda de 2% em relação à safra anterior. Caso se confirme, essa será a segunda menor superfície semeada desde 1919.
Apesar de os estoques trimestrais de trigo terem superado as expectativas, atingindo cerca de 33,7 milhões de toneladas (1,24 bilhão de bushels) em 1º de março de 2025, a redução na área plantada foi determinante para a reversão da tendência de queda. Com isso, os contratos para entrega futura registraram valorização, encerrando uma sequência de cinco quedas consecutivas.
No meio-pregão, os contratos para maio de 2025 apresentaram alta, assim como a posição julho, consolidando a tendência de valorização e refletindo a reação do mercado aos números do USDA.
Milho
O milho teve como principal foco os estoques trimestrais, que totalizaram aproximadamente 207 milhões de toneladas (8,15 bilhões de bushels), uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que projetavam estoques em torno de 208,2 milhões de toneladas (8,195 bilhões de bushels).
Adicionalmente, os dados de inspeção de exportação indicaram um aumento no ritmo de embarques norte-americanos, contribuindo para a sustentação dos preços.
Em relação à área plantada, o USDA estimou um aumento de 5% em relação à safra anterior, totalizando cerca de 38,6 milhões de hectares (95,3 milhões de acres). O dado superou a temporada passada, mas permaneceu dentro das projeções do mercado.
A combinação de estoques menores que o previsto e uma área maior indica que a disponibilidade inicial de milho pode ficar pressionada no curto prazo, sustentando as cotações. Os contratos para maio de 2025 tiveram avanço de 5 centavos no meio-pregão, enquanto a posição julho também registrou ganhos.
Soja
Para a soja, o USDA projetou uma área de plantio de aproximadamente 33,8 milhões de hectares (83,5 milhões de acres), o que representa uma queda de 4% em comparação ao ciclo anterior, quando foram cultivados 35,2 milhões de hectares (87,05 milhões de acres). O mercado esperava uma área próxima de 83,76 milhões de acres, demonstrando que o corte foi mais acentuado que o previsto.
Por outro lado, os estoques trimestrais de soja totalizaram cerca de 52 milhões de toneladas (1,91 bilhão de bushels), 4% acima do mesmo período do ano anterior e acima da expectativa de 1,895 bilhão de bushels (51,6 milhões de toneladas). Esse fator indica que a oferta interna permanece relativamente estável no curto prazo.
Diante desses fatores, os contratos de soja oscilaram entre leves altas e quedas moderadas ao longo do pregão, refletindo a volatilidade do mercado.
Algodão
O USDA também projetou uma redução de 12% na área de algodão em 2025, totalizando 3,99 milhões de hectares nos Estados Unidos. A queda deve afetar principalmente o tipo pima, com uma redução projetada de 24% em relação a 2024, enquanto o algodão upland deve ter um recuo de 12% na área cultivada.
Conclusão
A divulgação dos relatórios do USDA teve impacto imediato nos preços dos grãos, com reações expressivas especialmente para o trigo e o milho. A perspectiva de oferta mais restrita em alguns segmentos e o comportamento dos estoques sinalizam um cenário de volatilidade para os próximos meses, com possíveis reflexos sobre as decisões de produtores e investidores do setor.